
A maternidade do Hospital Anna Fiorillo Menarim deixou de realizar partos de risco intermediário, segundo Matilvani Moreira, médico que vai assumir a Secretaria da Saúde na gestão que inicia em janeiro. “Desde o dia 8 de novembro, por solicitação do Hospital e por não atenderem os critérios para o parto de gestante de risco intermediário, foi aprovado o desligamento para esse procedimento e a maternidade passou a atender apenas os partos de gestante de risco habitual”, revelou Matilvani, frisando que essas informações estão em uma ata de um processo da 3ª Regional de Saúde. “Nós vamos pegar uma maternidade que não pode atender essas pacientes e eu não quero que isso continue”, destacou o futuro secretário, em entrevista coletiva à imprensa nesta sexta-feira (27).
Matilvani apresentou ainda outros problemas na gestão do Hospital, administrado pelo Instituto Moriah, que tem contrato em vigor com a Prefeitura desde 2022, válido por dez anos. Com um déficit mensal de R$ 500 mil nas contas, o Hospital Anna Fiorillo Menarim em Castro vive uma situação financeira insustentável, segundo o futuro secretário.
Déficit financeiro
De acordo com a ata da 3ª Regional de Saúde que envolve o Hospital Anna Fiorillo Menarim, o custo do Hospital no mês de agosto foi de R$ 2,3 milhões e a receita de R$ 1,8 milhão.
Além disso, o Instituto Moriah não pagou os aluguéis dos últimos 17 ou 18 meses, o que equivale a aproximadamente R$ 450 mil em dívida com a Prefeitura. O prédio e os equipamentos do Anna Fiorillo estão alugados ao Instituto pelo valor mensal de R$ 25 mil.
Os documentos coletados por Mativani mostram ainda que, desde janeiro de 2023, a Prefeitura já emprestou mais de R$ 68 mil em materiais ao Instituto Moriah.
“A realidade em que encontraremos o Hospital Anna Fiorillo Menarim no primeiro dia de janeiro, ao iniciarmos o nosso mandato, é essa. Sem fazer juízo de valor e sem buscar culpados, preocupa-nos o futuro de uma empresa que não paga seus aluguéis, que precisou emprestar materiais e que tem déficit mensal de meio milhão de reais”, pontuou Matilvani.
Medidas
O futuro secretário de Saúde também aproveitou a coletiva para relatar as medidas que já estão sendo tomadas pela equipe de transição para tentar resolver a situação. A primeira delas foi a solicitação de documentos que comprovem o rombo nas contas e de planilhas mensais sobre gastos com compra de materiais, medicamentos e folha de pagamento.
A equipe de transição também já elaborou um Plano Municipal de Atenção Materno-Infantil para os próximos quatro anos, com o principal objetivo de retomar na maternidade do Anna Fiorillo o atendimento de gestantes de risco intermediário, o que inclui, por exemplo, mães com diabetes, hipertensão, moradoras de rua, indígenas ou com histórico de abortos, entre outros casos. Atualmente, essas gestantes de Castro, Carambeí, Pirai do Sul e Sengés, que antes eram recebidas na maternidade do Anna Fiorillo, estão sendo encaminhadas para o Hospital Regional de Ponta Grossa.
O que será feito
“O desafio da nossa gestão é buscar meios, nos limites da lei e do orçamento, para reestabelecer o equilíbrio financeiro do Hospital em parceria com o atual gestor. Essa é nossa primeira opção. Mas o Hospital terá que voltar a atender os critérios para parto de gestante de risco intermediário. Isso é um compromisso que eu e o Dr. Reinaldo temos e não abrimos mão. Se necessário buscaremos outros parceiros”, antecipou Matilvani, sobre os primeiros passos no novo governo.
“Fomos pegos de surpresa. Não podemos prometer que dia 2 de janeiro a maternidade vai voltar a atender risco intermediário, porque para retomar esse atendimento é preciso investimento, contratar pediatra, auxiliares e técnicos, por exemplo. Mas nosso compromisso é retomar esse atendimento no menor prazo possível”, ponderou.
O jornalismo do portal DCmais e jornal Diário dos Campos entrou em contato com o Instituto Moriah e aguarda retorno.
