Especialistas analisam cenário do café: quando o preço deve diminuir para o consumidor?


Por Cícero Goytacaz

Foto: Reprodução/Pixabay

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Quando o preço do café vai diminuir? Essa é uma das principais perguntas do consumidor brasileiro. Nuances do mercado internacional e condições climáticas são fatores que contribuem com o cenário atual da cultura do café. Durante a 51ª Expoleite, realizada no início deste mês em Arapoti, o Encontro de Cafeicultores debateu esse cenário, dentro e fora do Brasil. O debate apresentou perspectivas, considerando a volatilidade em que a cafeicultura se insere no mercado interno e externo.

Encontro de Cafeicultores na 51ª Expoleite. Foto: Cícero Goytacaz/DC

O evento contou com palestra de Guilherme Cioccari, consultor em gerenciamento de risco da StoneX, e com uma conversa entre os responsáveis pelo café na Capal Cooperativa, como o coordenador Newton Openheimer e os cafeicultores da região presentes no evento, como Marcelo Teixeira, que conversou com a reportagem do Diário dos Campos.

“Eu fico honrado de ter feito novamente um bate-papo aqui na Expoleite, já estou no quinto ano fazendo esse bate-papo aqui e eu acho que isso é enriquecedor. É o contato que o agricultor pode ter com esses fundamentos. Eu acho que é uma troca de informação. A gente tem a oportunidade de conversar com o produtor ali, após a palestra, é muito oportuno”, comentou Cioccari.

O palestrante sintetizou o conteúdo apresentado e discutido com os cafeicultores, e destacou o ponto principal para entender o cenário do café. “O que fica de destaque para o público e para o cafeicultor é que a gente vive em um mercado volátil. Então, conhecer seu custo e ir defendendo suas margens, eu acho que é o principal ponto diante de tantas questões complicadas, como geopolítica, clima e logística”, completou.

Por que o mercado do café é volátil?

Diversos fatores contribuem para esse mercado volátil, muitas vezes instável e imprevisível, conforme o que foi apresentado no evento. O coordenador de negócios do café da Capal, Newton Openheimer, comentou sobre o impacto disso no consumidor final. “Realmente o café está em alta nesse momento, então a gente percebe que a cadeia de valor do café como um todo ficou levemente enfraquecida. (…) Torradores, trading houses (empresas que atuam em escala global na compra, venda e distribuição) e dealers (intermediários em negociações) lá fora tiveram um custo financeiro bem mais alto do que o normal, isso enfraqueceu um pouco a liquidez das operações e o mercado interno”, detalhou.

Segundo Openheimer, essa alta já está sendo corrigida. “Como somos um país em desenvolvimento, como a commodity teve um aumento superior a 60% na prateleira, pensando no consumidor final, isso obviamente tem trazido uma redução no consumo e consequentemente diminui a demanda, dando uma arrefecida nessa alta de preço”, explicou.

Quando o preço do café deve diminuir?

Para o especialista, como o cenário atual já é de correção da alta do café, os próximos meses serão determinantes. “A cadeia de valor, como um todo, leva a ter um delay para que isso seja ajustado na prateleira, no consumidor final. Então, é evidente que agora existe uma correção, um ajuste um pouco para baixo desses preços, mas isso deve levar pelo menos um semestre para vir a ser repassado para o consumidor final”, analisou.

Produtores atentos à comercialização do café

Marcelo Teixeira dedica sua vida à produção de café e vem de família de cafeicultores. Ele acompanhou o Encontro na Expoleite e destacou ao DC a necessidade do produtor se proteger no mercado. “(A palestra) abre os olhos do produtor para a comercialização, com o mercado volátil ele tem que saber ter o custo, poder travar um pouquinho, como nos foi mostrado na palestra, como a cooperativa mostra, isso é um caminho, você tem que se proteger”, comentou.

“Nós aprendemos a trabalhar com o clima, a gente está no Trópico de Capricórnio, não conseguimos ter um clima controlado e a gente aprendeu a trabalhar com isso. Entendendo isso, de repente muita chuva, muita umidade, acaba até nos ajudando”, acrescentou, com destaque à capacidade do cafeicultor se adaptar ao clima, e também ao mercado.

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