
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lança mapa-múndi que apresenta o Brasil no centro do mundo e que traz uma nova perspectiva, em que o Sul aparece no topo da imagem. Nas versões português e inglês.
O lançamento é feito em ano que o Brasil tem ativa participação nos debates e perspectivas do Sul Global e do cenário mundial, em especial por presidir o Brics e o Mercosul. E recebe a COP 30.
“Como historicamente os primeiros mapas foram feitos majoritariamente por europeus, atribui-se a colocação da Europa na parte superior do mapa como uma questão de reforço da superioridade em relação aos países da porcão sul. Isso trouxe protestos dos países do sul, principalmente dos latinos-americanos. Inclusive protestos artísticos, quando um artista plástico do Uruguai, lançou um mapa de ponta-cabeça, nos anos 1940″, cita Maria do Carmo.
A divulgação do novo mapa-múndi do IBGE foi feito na última quarta-feira (7/5), mesmo dia em que o Instituto anunciou a preparação do Triplo Fórum Internacional da Governança do Sul Global – Novos indicadores e temas estratégicos para o desenvolvimento e a sustentabilidade na Era Digital. O encontro, em organização conjunta com o Governo do Estado do Ceará, além de vários parceiros, vai ser realizado de 11 a 13 de junho, em Fortaleza.
O novo mapa também traz destacados os países que compõe o Brics, o Mercosul, os países de língua portuguesa e do bioma amazônico, também a cidade do Rio de Janeiro, como capital dos Brics, a cidade de Belém, como capital da COP 30 e o Ceará como sede do Triplo Fórum. Em abril do ano passado, o IBGE lançou um mapa-múndi que traz o Brasil no centro do planeta. Desta vez, foi além.
Por que não um mapa-múndi invertido?
A maior parte do mundo está acostumada a ver a América do Norte no Norte e a América do Sul no Sul, mas essa representação não é a única possível e nem a única que foi registrada durante a história.
Na verdade, não existe uma razão técnica para colocar os pontos cardeais nas direções convencionais e, portanto, a representação tradicional é tão correta quanto a representação invertida.
A convenção cartográfica do Norte para cima e do Leste para a direita foi estabelecida pelo astrônomo Ptolomeu e foi amplamente adotada por outros cartógrafos como Mercator e Waldseemüller. Mas existem mapas que têm outra orientação e onde o Norte não está no topo. É o caso, por exemplo, dos mapas medievais ou de alguns mapas feitos por outras culturas.
Nos mapas modernos, há questões relacionadas a reinvindicações políticas nesses mapas invertidos, geralmente realizada por países localizados no Hemisfério Sul. Segundo Nicole De Armendi, a orientação dos mapas “afirma posições de poder, traça certas redes globais e estabelece relações hierárquicas entre as nações e os continentes”.
Um exemplo famoso é a obra do artista uruguaio Joaquín Torres-García, que em 1943 fez o que se conhece como “o mapa invertido”. A obra tornou-se um símbolo para os latino-americanos em seus esforços para se tornarem reconhecidos na visão geral do mundo.
Segundo o IBGE, o mapa-múndi invertido é lançado no momento em que o Brasil tem a presidência do Brics e do Mercosul, além da atenção na agenda dos Países de Língua Portuguesa e da realização da COP 30 no País.
Neste contexto, o IBGE divulga essa nova versão de mapa-múndi em conjunto com as ações do órgão em 2025, como líder dos institutos de pesquisa dos referidos blocos geopolíticos. Isso inclui a agenda de eventos nacionais e internacionais e lançamento de pesquisas e indicadores, entre outras atividades de disseminação de informações.
Como adquirir o mapa-mundi
O novo mapa-múndi pode ser adquirido na loja do IBGE (com prazos de entregas variados), no endereço virtual https://loja.ibge.gov.br/. E as compras físicas a partir desta segunda-feira (12/5).