
Aumentar a potência e o tempo de resposta do motor nas aceleradas é o que muita gente espera quando busca a chamada “chipagem” de veículos. Mas, antes de sair por aí procurando alguém que faça essas alterações no veículo original, é preciso ter cuidado.
A chipagem consiste na alteração eletrônica da calibração de motores para aumentar potência. Quem explica é o engenheiro Erwin Franieck, especialista em Powertrain e conselheiro executivo da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil).
Chipagem: vantagens da reprogramação
Em entrevista ao Diário dos Campos, Erwin diz que as mudanças podem ser feitas em veículos turbo diesel, a gasolina com injeção direta e modelos flex. “Quanto mais você deixa o efeito da turbina funcionar, mais potência ele tem”, afirma. Segundo o especialista, os motores modernos contam com controle eletrônico da turbina, o que permite ajustes mais precisos do que os antigos sistemas mecânicos. Basta um software para fazer as alterações e turbinar o veículo.
Porém, a transformação não é nada simples e precisa ser realizada por mecânicos especializados. Erwin destaca que é preciso fazer a correta calibração, garantir que a temperatura do escapamento e da turbina esteja adequada, respeitar os limites de potência da transmissão e do torque nos suportes do motor, e cuidar de todos os demais componentes do carro. “Se não houver esse controle, a chipagem pode danificar o motor muito rapidamente”, acrescenta.
Desvantagens da chipagem
Embora os benefícios atraiam os motoristas para a chipagem, a lista de desvantagens é grande, como aponta o conselheiro da SAE Brasil. Ele explica que existe um conjunto calibrado de limite de uso para o qual o carro foi projetado para ter as suas centenas de milhares de quilômetros de durabilidade. Mas, ao realizar essas alterações, acaba-se comprometendo toda a vida útil ou até gerar uma falha abrupta, como furar um pistão ou até destruir uma caixa de câmbio. “Tudo isso pode acontecer num momento de grande ampliação do uso de torque de grande potência nesses motores turbo”, alerta.
Risco para quem compra carro usado
Além dos riscos mecânicos, a dificuldade em identificar alterações no software aumenta a insegurança para quem compra veículos usados. Erwin diz que modelos de picapes, como a Volkswagen Amarok, são frequentemente citados no mercado de seminovos como suscetíveis a esse tipo de modificação. “Muitas vezes o carro apresenta baixa quilometragem, mas o motor já está próximo do fim da vida útil devido ao uso intenso após a chipagem”, ressalta o especialista.
O problema também afeta o valor de revenda. Como não há garantias de que o veículo não foi alterado, compradores ficam expostos ao risco de adquirir um carro com desempenho comprometido. Para evitar prejuízos, a recomendação é recorrer a um mecânico de confiança antes de fechar negócio.
“Testes de pressão nos cilindros, medições de folga em mancais, análise de óleo e inspeção da transmissão podem indicar sinais de desgaste precoce”, explica o engenheiro.
