
Um estudo nacional sobre o crescimento infantil revela que a Região Sul apresenta o maior índice de sobrepeso entre crianças de até 9 anos. De acordo com a pesquisa, 32,6% das crianças do Sul estão acima do peso e 14,4% já se enquadram como obesas, percentuais superiores aos registrados nas demais regiões do país (veja tabela abaixo).
A pesquisa contou com a participação de especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia) e analisou dados de aproximadamente 6 milhões de crianças registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).
Os pesquisadores cruzaram informações socioeconômicas e de saúde para avaliar peso e estatura das crianças desde o nascimento até os 9 anos, utilizando como referência os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), que se baseiam em curvas de crescimento (escore-z).
Estatura baixa x excesso de peso
Segundo o estudo, embora crianças indígenas e de estados do Norte e Nordeste apresentem maior prevalência de baixa estatura associada à vulnerabilidade social, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste o principal problema identificado foi o excesso de peso.
“Pode-se dizer que, em termos de peso, não há um quadro predominante de subnutrição. Ao contrário, algumas populações, como as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, têm uma prevalência de sobrepeso bastante alta”, afirmou o pesquisador Gustavo Velasquez, que liderou o estudo.
De acordo com os dados, enquanto o crescimento em altura das crianças brasileiras acompanha, em média, os parâmetros internacionais, o peso corporal começa a se afastar do padrão esperado, principalmente em determinadas regiões do país. Para os pesquisadores, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à atenção primária em saúde, desde o período gestacional até os primeiros anos de vida.
Alimentos ultraprocessados
Outro fator apontado como determinante para o avanço do sobrepeso e da obesidade infantil é a alimentação. “Estamos observando uma invasão de alimentos ultraprocessados, considerados um dos principais responsáveis pelo aumento do peso não apenas em crianças, mas em toda a população”, destacou Velasquez.
O estudo foi publicado em janeiro de 2026 na revista científica JAMA Network e recebeu comentários de pesquisadores internacionais, que consideraram a situação brasileira intermediária em comparação com outros países da América Latina. Na avaliação dos especialistas, embora o Brasil ainda não apresente os níveis mais graves de obesidade infantil da região, os índices registrados no Sul e em outras áreas do país indicam a necessidade de ações preventivas imediatas.
Comparativo entre as regiões:
| Região | Sobrepeso | Obesidade |
|---|
| Norte | 20% | 7,3% |
| Nordeste | 24% | 10,3% |
| Centro-Oeste | 28,1% | 13,9% |
| Sudeste | 26,6% | 11,7% |
| Sul | 32,6% | 14,4% |
*Com Agência Brasil
