Slow food em alta: saiba como fazer o pão caseiro perfeito


Por Vitor Carvalho
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Pães de fermentação natural e produção caseira. Foto: Vitor Carvalho

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Pães de fermentação natural e produção caseira. Foto: Vitor Carvalho

Fazer pão é uma arte. É preciso paciência, método científico, técnica, trabalho manual e experiência. Mas para além do ofício de padeiro, existem muitas pessoas que sonham em acordar e tomar um café com um pão quentinho saindo do forno. Em um momento de alimentos rápidos e vida acelerada, o slow food volta a ganhar espaço para manter a tradição do pão caseiro viva. E é possível replicar isso também na sua casa.

Apesar da maioria dos mercados e até padarias venderem pães com prazo de validade longo e tempo de preparação curto, há opções para fugir dessa lógica. Uma delas é a Altamura Pães Especiais, que completa 10 anos de existência, nove no mesmo endereço: Rua Visconde de Nacar, no Centro de Ponta Grossa. 

A padaria faz parte de um nicho ainda pouco explorado localmente, o de pães artesanais. São preparos que levam, no mínimo, 20 horas até o pão poder ser servido. Em alguns casos, a massa precisa descansar por dias até poder ser colocada no forno.

Herança familiar

Fernando de Lima tem o ofício no sangue. Além de proprietário da Altamura e padeiro há 25 anos, carrega a herança do pai na arte de fazer pães. Foi com ele que aprendeu o ofício, receitas únicas e a, literalmente, colocar a mão na massa. Existem pães, segundo Fernando, que demandam turnos de 36 horas até que todo o processo seja concluído.

Receita do pai de Fernando emoldurada na loja. Padeiro há 50 anos, ensinou o ofício para o filho. Foto: Vitor Carvalho

O que Fernando trabalha em sua loja pode, de certa forma, ser reproduzido em casa: basta seguir um passo a passo. Com técnicas certas e ingredientes de boa qualidade, um forno convencional pode transformar o seu pão em crocante por fora e macio por dentro.

A ciência por trás do crescimento

Mas antes do preparo, é fundamental entender a ciência por trás do sucesso de um bom pão. E tudo isso ocorre a nível microscópico, com pura bioquímica. Quando misturamos a água e a farinha de trigo, duas proteínas presentes no grão (a gliadina e a glutenina) se unem para formar o glúten, uma rede elástica e resistente. 

É aí que entra o fermento biológico (Saccharomyces cerevisiae). Esses microorganismos vivos se alimentam dos açúcares da farinha em um processo chamado fermentação. Eles digerem esses açúcares e os transformam em álcool e dióxido de carbono (CO₂).

A mágica acontece quando esse gás tenta escapar, mas fica preso na rede elástica do glúten. São essas bolhas retidas que fazem a massa inflar e garantem a leveza do miolo.

A sova perfeita

Desafio do inverno rigoroso

Se no verão o pão cresce de maneira rápida, o inverno de Ponta Grossa, onde os termômetros facilmente despencam para perto dos 5°C, exige adaptações severas. O fermento é sensível à temperatura; abaixo dos 20°C, sua atividade desacelera drasticamente.

Enquanto em um dia quente a primeira fermentação leva 1 hora, no inverno local esse tempo pode saltar para 3 a 5 horas.

Truque da Estufa Caseira: Para não congelar o processo, crie um microclima. Coloque a massa para descansar dentro do forno micro-ondas ou do forno convencional (desligados!) acompanhada de uma xícara de água fervendo. O vapor manterá o ambiente aquecido (por volta de 25°C a 28°C) e úmido, ideal para as leveduras trabalharem sem pressa.

Miolo macio e casca crocante

As padarias profissionais utilizam fornos com injeção de vapor, mas é perfeitamente possível replicar a crosta perfeita em casa seguindo dois segredos básicos: alta temperatura inicial e umidade.

O vapor mantém a superfície da massa úmida nos primeiros 15 minutos, permitindo que o pão cresça o máximo possível. Depois que o vapor dissipa, os açúcares da superfície caramelizam (reação de Maillard), criando aquela casca rústica, dourada e intensamente crocante, enquanto o interior permanece perfeitamente macio.

Benefícios do pão caseiro

Além do sabor, o pão preparado em casa, no método slow food, tem benefício nutricional e é melhor para a saúde. Segundo Fernando, padeiro da Altamura, vários clientes já relataram que pararam de se sentir estufados ao trocar o pão vendido em mercados. Até mesmo casos de azia foram contornados com o consumo do pão artesanal. 

A grande diferença, afirma Fernando, está na quantidade de fermento biológico utilizado. Com normas permitindo até 40 dias de validade para pães feitos na indústria, a porcentagem de químicos utilizada é muito maior.

Além da indústria optar pelo fermento seco, pensando na durabilidade do alimento, ele gera mais resíduos e um gosto mais forte. Na produção de sua padaria, e para as receitas caseiras, o ideal é usar fermento fresco, com porcentagem de até 2%

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