
O Ministério da Saúde enviou, na segunda-feira (10), uma equipe técnica a São Paulo para acompanhar o primeiro caso da variante da mpox no Brasil, causado pela cepa 1b do vírus. A paciente, uma mulher de 29 anos, residente na região metropolitana da capital paulista, teve contato com um familiar procedente da República Democrática do Congo, onde há circulação endêmica do vírus.
O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, informou que a paciente diagnosticada com a variante da mpox segue internada e em isolamento. A paciente evolui bem, com as lesões já cicatrizadas e tem previsão de alta esta semana.
O caso foi confirmado laboratorialmente, com sequenciamento genético completo, revelando semelhança com registros internacionais recentes. Até o momento, não foram identificados casos secundários, mas as equipes de vigilância municipal seguem monitorando possíveis contatos.
Entenda a variante da Mpox
Nomeada como Clado 1b, a variante da Mpox, até então nunca circulada no Brasil, tem sido responsável por um surto de casos na República Democrática do Congo (RDC). A preocupação de uma nova epidemia deve-se à sua letalidade, que é de aproximadamente 10%. Ou seja, 10 vezes mais grave que a variante que provocou um surto mundial em 2022.
De acordo com o diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP), Edenilo Barreira Filho, a equipe realizará uma investigação epidemiológica detalhada, oferecerá apoio técnico-operacional à vigilância local, avaliará as medidas de controle adotadas e definirá estratégias conjuntas para resposta ao caso. “As tratativas com a secretaria estadual de Saúde estão sendo conduzidas pelo Dathi, visando fortalecer as ações integradas e garantir uma resposta oportuna”, destacou.
Monitoramento e resposta
O Ministério da Saúde mantém o monitoramento contínuo da situação epidemiológica da mpox no Brasil e no mundo, acompanhando as mais recentes evidências científicas para embasar recomendações e medidas de proteção.
Segundo o relatório da OMS, a Clado 1b já tem transmissão comunitária na República do Congo. Os casos alarmantes também foram registrados em Burundi, Quênia, Ruanda, Uganda e Zâmbia; confira os demais países.
- Brasil;
- Reino Unido;
- Alemanha;
- Tailândia;
- Bélgica;
- Estados Unidos;
- Canadá;
- França;
- Índia;
- Omã;
- Paquistão;
- Suécia;
- Emirados Árabes Unidos.
Desde a declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em agosto de 2024, a pasta mantém ativo o Centro de Operações de Emergências (COE-Mpox), responsável por coordenar a resposta nacional e fortalecer a gestão integrada de enfrentamento à doença.
Mpox no Brasil
Em 2024, o Brasil registrou 2.052 casos de mpox, enquanto, em 2025, até o início de fevereiro, foram notificados 115 casos de diferentes cepas em circulação. Nenhum óbito foi registrado nos últimos dois anos no país, e a maioria dos casos apresenta sintomas leves ou moderados.
A mpox é considerada endêmica na África Central e Ocidental desde a década de 1970. Em dezembro de 2022, o Congo declarou surto nacional da doença, relacionado à circulação da cepa 1 do vírus da mpox (MPXV). Desde julho do ano passado, casos da cepa 1b foram identificados em diversos países, incluindo Uganda, Ruanda, Quênia, Zâmbia, Reino Unido, Alemanha, China, Tailândia, Estados Unidos, Bélgica, Angola, Canadá, França, Índia, Paquistão, Suécia e Emirados Árabes Unidos.
O objetivo do ministério é fortalecer a vigilância epidemiológica, garantir ações preventivas e aprimorar a resposta nacional à doença, reforçando a segurança sanitária e a proteção da população brasileira.