Enchentes no RS afetaram 6,3 milhões, diz IBGE

As enchentes no RS afetaram cerca de 6,3 milhões de moradores nas áreas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado faz parte de uma pesquisa inédita que mediu os impactos do desastre climático registrado no Rio Grande do Sul em 2024.
Segundo o IBGE, o levantamento também estimou 2,3 milhões de domicílios nas regiões mais atingidas pelas chuvas. Além disso, 88% das moradias apresentaram algum tipo de ocorrência provocada pelo desastre. Entre os problemas relatados estão falta de água, interrupção de energia elétrica, danos estruturais e dificuldades de deslocamento.
A pesquisa recebeu o nome de Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS). Dessa forma, o instituto buscou entender como a tragédia afetou a vida da população. O estudo analisou, portanto, impactos na moradia, no trabalho, nos estudos, na saúde e na qualidade de vida dos moradores.
Pesquisa inédita ouviu moradores de 133 municípios
Ao todo, 133 municípios fizeram parte da pesquisa. A coleta ocorreu entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026. Para isso, o IBGE usou entrevistas telefônicas assistidas por computador.
Segundo o instituto, essa metodologia apareceu pela primeira vez em uma pesquisa domiciliar do IBGE. Com isso, a proposta foi ouvir diretamente moradores das áreas mais afetadas pelas enchentes no RS.
Além disso, o levantamento reuniu informações sobre danos nas casas, problemas nos bairros, necessidade de resgate, mudanças de endereço e impactos na rotina das famílias. Por isso, a pesquisa ajuda a mostrar o tamanho social e econômico da tragédia.
Mais de 900 mil pessoas mudaram de endereço
A pesquisa aponta que 14,6% dos moradores afetados mudaram de endereço após o desastre climático. Esse percentual representa cerca de 922 mil pessoas.
Entre os moradores que trocaram de moradia, 37,9% fizeram a mudança por causa das enchentes. Portanto, o evento climático teve impacto direto na permanência das famílias em suas casas.
Além disso, 55,5% dos moradores relataram algum tipo de dano estrutural nos domicílios. O IBGE também estimou que 81,2 mil casas ficaram destruídas. Outras 190,2 mil, por sua vez, ficaram muito danificadas.
Saúde mental foi um dos maiores impactos
A saúde mental aparece como um dos principais efeitos das enchentes no RS. Segundo o levantamento, 67,5% dos entrevistados informaram que pelo menos um morador do domicílio teve a saúde mental abalada.
Além disso, outros impactos também apareceram com força. A pesquisa mostra que 58,4% dos domicílios tiveram interrupções na vida social ou no convívio com familiares e amigos. Já 57,3% relataram dificuldade de deslocamento para trabalho, escola ou creche.
Por isso, os dados indicam que os efeitos das enchentes foram além dos prejuízos materiais. Afinal, o desastre também afetou a rotina, os vínculos sociais e o bem-estar da população atingida.
Falta de água e energia atingiu maioria dos domicílios
Entre as ocorrências causadas pelo desastre climático, a interrupção no fornecimento de água e de energia elétrica teve grande peso. Cada uma dessas situações atingiu 66,3% dos domicílios pesquisados.
Além disso, o levantamento identificou impactos nas ruas e no entorno das residências. Segundo o IBGE, 68,7% dos domicílios relataram problemas nos bairros e nas vias próximas.
Entre os principais danos, apareceram ruas e rodovias alagadas, danificadas ou interditadas. Também houve registros de pontes quebradas, quedas de árvores, postes danificados, deslizamentos e suspensão do transporte público.
Assim, a pesquisa mostra que o desastre comprometeu serviços básicos e dificultou o deslocamento de milhares de famílias. Como resultado, muitos moradores enfrentaram problemas para trabalhar, estudar e acessar atendimento.
Voluntários lideraram resgates nas áreas atingidas
A pesquisa também analisou os resgates feitos durante as enchentes. Segundo o IBGE, 652,1 mil domicílios ficaram impossibilitados de acesso durante o desastre.
Nessas situações, o transporte aquático foi o principal meio de resgate. Ele apareceu em 70% dos casos. Em seguida, veio o transporte terrestre, usado em 34,6% dos domicílios resgatados.
Os voluntários tiveram papel decisivo no atendimento às famílias. Eles participaram dos resgates em 74,9% dos domicílios atendidos. Já órgãos oficiais, como Bombeiros, Forças Armadas e Defesa Civil, atuaram em 35,4% dos casos.
Portanto, a atuação voluntária se destacou como uma das principais respostas imediatas à tragédia. Ainda assim, os dados também mostram a importância da presença de estruturas públicas em situações de emergência.
Enchentes afetaram trabalho e educação
As enchentes no RS também provocaram impactos na educação. O IBGE estima que 1,6 milhão de pessoas frequentavam escola em abril de 2024 nas áreas pesquisadas.
Desse total, 78,9% deixaram de comparecer à escola de forma temporária ou permanente no período das enchentes. No entanto, 94,8% dos estudantes que interromperam os estudos já tinham retomado a frequência escolar no momento da coleta.
No mercado de trabalho, o impacto também foi expressivo. Antes das enchentes, 3 milhões de moradores exerciam atividade remunerada, formal ou informal. Durante o desastre, 56,4% deles interromperam o trabalho.
Apesar disso, o IBGE identificou recuperação no período posterior. No momento da coleta, o número de pessoas em trabalho remunerado voltou a um patamar próximo ao registrado antes das enchentes.
Auxílio financeiro chegou a 484 mil domicílios
O levantamento também avaliou o recebimento de auxílio financeiro pago por ente público às famílias desabrigadas. Segundo a pesquisa, 484,2 mil domicílios relataram que pelo menos um morador recebeu esse tipo de ajuda entre abril e maio de 2024.
Esse total representa 20,8% dos domicílios pesquisados. Além disso, entre as famílias beneficiadas, 52,9% tinham renda mensal de até R$ 3 mil.
O IBGE também identificou que 196,2 mil domicílios tiveram ao menos um morador que precisou de atendimento médico por causa das enchentes. Desse grupo, 56,1% tinham renda de até R$ 3 mil.
Dessa forma, os números reforçam que a população de menor renda ficou mais exposta aos efeitos do desastre. Por isso, o auxílio público teve papel importante no atendimento emergencial às famílias.
Estudo pode orientar políticas contra desastres climáticos
Segundo o IBGE, a PEERS pode ajudar na formulação de políticas públicas voltadas à prevenção, mitigação e recuperação de desastres climáticos.
Além disso, a pesquisa criou uma metodologia que poderá ser usada em outras situações semelhantes no país. Dessa forma, o instituto busca oferecer informações mais rápidas e detalhadas sobre os impactos de eventos extremos na vida da população.
Embora o estudo trate das enchentes no RS, os dados reforçam a importância de ações preventivas em outras regiões brasileiras. Afinal, a tragédia mostrou que os efeitos de um desastre climático atingem moradia, saúde, renda, educação, transporte e qualidade de vida ao mesmo tempo.
Por fim, o levantamento também amplia o debate sobre adaptação climática no Brasil. Isso porque eventos extremos tendem a exigir respostas cada vez mais rápidas de governos, comunidades e instituições.
FAQ sobre as enchentes no RS
Quantas pessoas foram afetadas pelas enchentes no RS?
Segundo o IBGE, cerca de 6,3 milhões de moradores foram afetados nas áreas pesquisadas no Rio Grande do Sul.
Quantos municípios participaram da pesquisa do IBGE?
A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul analisou dados de 133 municípios.
Quantas pessoas mudaram de endereço após as enchentes?
O levantamento mostra que 14,6% dos moradores afetados mudaram de endereço. Esse percentual representa cerca de 922 mil pessoas.
Qual foi o principal impacto das enchentes na vida pessoal dos moradores?
A saúde mental foi o principal impacto relatado. De acordo com o IBGE, 67,5% dos entrevistados disseram que pelo menos um morador do domicílio teve a saúde mental abalada.
O que é a PEERS do IBGE?
A PEERS é a Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. O estudo foi criado para medir os impactos das chuvas na população atingida e ajudar na formulação de políticas públicas.
Fonte: Agência de Notícias do IBGE.

