Empresas de móveis: Tok&Stok e Mobly pedem recuperação judicial


Por Redação Diário dos Campos
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Foto: Reprodução Tok&Stok

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Foto: Reprodução Tok&Stok

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou nesta terça-feira (12) o pedido de recuperação judicial, de modo a reorganizar as dívidas e mitigar a crise econômica. A companhia informou uma dívida de cerca de R$ 1,1 bilhão e atribuiu a deterioração financeira à combinação de juros elevados, crédito restrito e queda no consumo de bens duráveis.

De acordo com Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, o caso evidencia que o mercado de móveis ainda sofre os reflexos da mudança de comportamento do consumidor no pós-COVID. “Durante a pandemia, houve uma explosão na demanda por móveis e itens de decoração por causa do home office e da permanência maior das pessoas em casa. Depois desse pico, houve uma natural desaceleração da demanda, por conta do fim do período pandêmico e retorno ao trabalho presencial, agravada pela inflação, pelo crédito caro e pelo endividamento das famílias”, afirma.

Conforme o especialista, a recuperação judicial pode funcionar como uma ferramenta para reorganizar as operações e preservar a continuidade das atividades, mas também traz impactos relevantes na relação com fornecedores, transportadoras e parceiros financeiros. “Empresas desse segmento dependem diretamente de cadeia logística eficiente, estoque bem estruturado e fluxo constante de entregas. Qualquer instabilidade financeira tende a gerar insegurança em fornecedores e operadores logísticos”, explica.

O próprio Grupo Toky pediu à Justiça a manutenção de contratos considerados essenciais para o funcionamento das operações, incluindo serviços de logística, transporte, sistemas digitais e computação em nuvem. A companhia também solicitou a liberação de cerca de R$ 77 milhões retidos por uma instituição financeira, alegando risco de colapso operacional e impacto no pagamento de salários.

Para Canutto, a logística se tornou um dos principais pilares estratégicos do varejo de móveis nos últimos anos, especialmente após a consolidação do e-commerce no setor. “Hoje, não basta apenas vender. O consumidor exige entrega rápida, rastreamento eficiente e previsibilidade, afinal, todas as plataformas de venda on-line também comercializam móveis e decoração. Em empresas de móveis, qualquer ruptura logística pode afetar diretamente a reputação da marca e aumentar o índice de cancelamentos e reclamações”, diz.

Isso exige que as companhias tenham gestão de estoque inteligente, capacidade de entrega rápida e estrutura financeira sustentável. “O cenário tende a favorecer empresas mais enxutas, tecnológicas, com forte presença online e menor dependência de crédito para crescer”, conclui o advogado.

Próximos passos da Recuperação Judicial do Grupo Toky

EtapaO que acontece
Pedido protocoladoA empresa apresenta à Justiça a situação financeira e solicita proteção contra cobranças e execuções
Análise do juizO Judiciário avalia se a companhia preenche os requisitos legais para entrar em recuperação judicial
Suspensão de cobrançasSe a RJ for aceita, execuções e cobranças contra a empresa ficam suspensas por 180 dias (“stay period”)
Apresentação do planoO Grupo Toky terá prazo para apresentar um plano de recuperação aos credores
Negociação com credoresBancos, fornecedores e demais credores analisam propostas de pagamento, descontos e prazos
Assembleia de credoresCredores votam pela aprovação, alteração ou rejeição do plano de recuperação
Possíveis ajustes operacionaisA empresa pode renegociar contratos, rever logística, fechar unidades ou reduzir custos
Fiscalização judicialUm administrador judicial acompanha as finanças e o cumprimento das obrigações da empresa
Risco de falênciaCaso o plano seja rejeitado ou descumprido, a recuperação judicial pode ser convertida em falência
Tentativa de retomadaSe aprovada, a RJ busca permitir reorganização financeira e continuidade das operações

Fonte:

Fernando Canutto – sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial. Pós-graduado em Direito Societário pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP). Pós-graduado em Direito das Operações de Reestruturação Societária e pelo CEU Law School. LL.M. em Direito Corporativo pelo INSPER – RJ. Extensão em Direito Societário e Reestruturação Societária pela Vanderbilt University (TN – USA).

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