21 de junho de 2026

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“Efeito ninho”: como adaptações em casa durante o inverno impactam a saúde


Por Cícero Goytacaz Publicado 21/06/2026 às 11h30
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Mulher coberta por uma manta sentada no sofá em casa, em um dia frio, em foto ilustrativa de inverno
Foto ilustrativa/Divulgação

Com a chegada das baixas temperaturas e a redução das atividades ao ar livre, o tempo de permanência dentro de casa aumenta. No inverno, a adaptação do ambiente residencial deixa de ser uma questão apenas estética e passa a atuar como um fator de proteção à saúde da família. A prática, conhecida na arquitetura de interiores como “efeito ninho” (nesting), consiste em preparar o lar para que ele funcione como um espaço de conforto térmico, físico e psicológico.

“A necessidade de transformar a casa durante o inverno tem bases comportamentais e fisiológicas. Buscamos instintivamente lugares que nos protejam do frio externo e transmitam segurança. O efeito ninho é a resposta a essa demanda, manifestando-se na criação de espaços que estimulam o relaxamento, a recuperação física e o convívio por meio da organização espacial e do uso de materiais específicos”, explica Vanessa Vergani, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniCesumar de Ponta Grossa (PR).

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Alcançar esse nível de bem-estar, contudo, exige adequações que vão além da percepção visual e tátil. A preparação do imóvel deve alinhar a retenção de calor com a salubridade do ambiente, evitando que a busca por isolamento térmico comprometa a saúde física dos moradores.

Prevenção de doenças respiratórias e conforto térmico

Um dos principais desafios operacionais das residências no inverno é equilibrar o aquecimento dos cômodos com a prevenção de alergias. O isolamento excessivo prejudica a qualidade do ar, favorecendo a proliferação de microorganismos. “Existe a ideia equivocada de que conforto térmico exige manter a casa completamente fechada. Na prática, a ventilação cruzada continua sendo eficiente. Abrir as janelas nos horários mais quentes do dia é essencial para renovar o ar interno e reduzir a concentração de ácaros, fungos e poluentes”, orienta Vergani.

A especialista também indica o uso estratégico da incidência solar. Ambientes que recebem luz do sol devem ter as cortinas abertas durante o dia e fechadas ao anoitecer para ajudar a reter o calor acumulado. Em relação ao mobiliário, o uso de tapetes e mantas aumenta a sensação térmica, mas exige protocolos de limpeza. “Para lares com pessoas alérgicas, a orientação é priorizar o uso de tecidos laváveis e superfícies de fácil manutenção diária”.

Estímulos sensoriais e controle do estresse

A percepção de aquecimento de um imóvel não depende exclusivamente dos termômetros, já que estímulos visuais e táteis enviam sinais de conforto ao cérebro. A substituição de lâmpadas brancas por temperaturas de cor mais quentes (amareladas), a adoção de luz indireta e o uso de tons terrosos na decoração (como caramelo, terracota e bege) alteram rapidamente a atmosfera do ambiente. “Criar ‘micro refúgios’, como uma poltrona próxima à janela ou um canto de leitura, estabelece pontos de desaceleração dentro da própria residência. Quando o tempo de permanência indoor aumenta, ter locais destinados à pausa emocional é tão importante quanto manter a funcionalidade do espaço”, afirma a professora da UniCesumar.

As adaptações sazonais na infraestrutura e na rotina do lar atuam, portanto, como uma ferramenta ativa de autocuidado. “Um ambiente que oferece conforto térmico, iluminação correta e espaços de recolhimento transmite uma mensagem silenciosa de cuidado. Quando organizamos a casa para o inverno, estamos, na verdade, protegendo e promovendo a qualidade de vida das pessoas que vivem nela”, conclui a especialista. (Informações: Assessorias)

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Cícero Goytacaz
Cícero Goytacaz

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2022, repórter de Política do Diário dos Campos. Tem experiência com redação de jornal impresso, sites de notícias, rádio esportivo e transmissões de futebol. Atuou como repórter setorista do Operário Ferroviário Esporte Clube.