
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve retomar, nesta sexta-feira (15), o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante da marca Ypê, contra a medida que suspendeu a fabricação e comercialização de diversos produtos de limpeza.
Votação
O item estava previsto para ser votado na última quarta-feira (13), durante a 8ª Reunião Ordinária, mas foi retirado de pauta pelo diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, para que medidas de correção de irregularidades pudessem ser apresentadas pela empresa. Segundo informações da Agência Brasil, o órgão regulador e a fabricante têm mantido reuniões técnicas constantes para a mitigação de riscos sanitários.
Suspensão
A suspensão, determinada originalmente no dia 7 de maio, foi motivada por uma fiscalização realizada em abril na unidade fabril de Amparo (SP). De acordo com a Agência Brasil, equipes da Anvisa, em conjunto com vigilâncias estadual e municipal, encontraram 76 irregularidades na planta, incluindo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes. Essa bactéria é conhecida por sua resistência a antibióticos e representa um risco severo para pessoas imunocomprometidas, podendo causar de infecções urinárias a quadros respiratórios graves.
Denúncia
Enquanto a decisão final da agência é aguardada, novos detalhes sobre os bastidores do caso vieram à tona. Reportagem publicada pela CNN Nacional aponta que a multinacional Unilever, principal concorrente da Ypê e detentora de marcas como Omo e Comfort, já havia denunciado a suposta contaminação microbiológica à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) ainda em 2025.
A reportagem da CNN diz ter obtido documentos indicando que a Unilever protocolou petições urgentes em outubro do ano passado, baseadas em laudos de laboratórios externos que apontavam “desvio microbiológico relevante” na linha Tixan Ypê Express.
Acusação
Ainda segundo a CNN Nacional, a Unilever acusou a concorrente de realizar um “recolhimento silencioso” de produtos no ano passado, sem o devido alerta público aos consumidores. Em contrapartida, a Química Amparo negou à época a existência de riscos relevantes, classificando as denúncias da rival como “beligerantes” e uma tentativa de “instrumentalizar” os órgãos reguladores para obter vantagens comerciais. A Ypê defendeu que os testes da Unilever foram unilaterais e que não existem normas específicas da Anvisa estabelecendo limites microbiológicos para saneantes.
Plano de ação
Atualmente, conforme reportado pela Agência Brasil, a Ypê apresentou um plano de ação com 239 correções para atender às exigências sanitárias. Embora o recurso tenha concedido efeito suspensivo à proibição de venda, a própria empresa optou por manter a produção interrompida até concluir todas as medidas de segurança. A recomendação da Anvisa segue vigente para os consumidores: não utilizar os lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes com final de fabricação número 1.
