Tradições de Ano Novo!


Por Redação Diário dos Campos

A família Frey manteve em Ponta Grossa a tradição vienense de celebrar o Ano-Novo no lar, reunindo-se em 31 de dezembro de 1951 para uma ceia de confraternização íntima. (acervo familiar do autor)

A família Frey manteve em Ponta Grossa a tradição vienense de celebrar o Ano-Novo no lar, reunindo-se em 31 de dezembro de 1951 para uma ceia de confraternização íntima. (acervo familiar do autor)

No início do século XX a celebração da entrada de um novo ano na nossa cidade era uma festividade restrita à elite. Os clubes sociais promoviam grandes bailes que reuniam as elites e autoridades. Nas casas das famílias abastadas, eram servidas requintadas ceias, e as celebrações exigiam roupas elegantes e etiqueta rígida.

Para a grande maioria da população, o sentido era mais religioso e simbólico do que festivo. A igreja católica exercia grande influência sobre a sociedade, e eram realizadas missas no dia 31 e no primeiro dia do ano que iniciava. O comportamento da população, em geral, era discreto, sem excessos, com orações pedindo proteção e prosperidade. Não havia fogos nem grandes shows; no máximo, era realizado um jantar um pouco melhor do que o cotidiano, além de visitas entre parentes e vizinhos no entardecer.

Por meio dos registros da época, especialmente do jornal O Progresso (posteriormente Diário dos Campos), percebe-se que eram feitas referências às festas realizadas na virada do ano pelos grandes clubes sociais. Além disso, o periódico publicava crônicas e notas de cronistas locais saudando o início do ano e expressando as expectativas da comunidade para os primeiros meses.

As notas, muitas vezes, eram moldadas fortemente pelo aspecto religioso e moral dessas primeiras décadas do século XX, e muitos tratavam o primeiro dia do ano como extensão das atividades sociais e familiares, sem a realização de grandes eventos públicos.

Com os imigrantes que começaram a chegar por aqui na segunda metade do século XIX, e incorporação de novos aspectos culturais, a noite do dia 31 passou a apresentar mais rituais e simbolismo: ceias especiais e brindes festivos, reuniões em associações e clubes étnicos, ainda que restrito a grupos específicos. Dessa época restam registros por meio de cartões postais, que costumavam enviar para parentes e amigos que estavam distantes, trazendo cumprimentos e desejos de um feliz e próspero Ano Novo.

Ainda hoje, nossa celebração de Ano Novo carrega, em grande parte, costumes e tradições trazidos por nossos antepassados, tal como, na ceia ou almoço do dia primeiro, servir carne de porco. Antigamente, era considerado sinal de fartura e prosperidade poder servir carne de porco. Em países como Alemanha e Áustria, o porco ainda é um símbolo de sorte. Presentes de “schweinchen” (mini porcos de porcelana ou doces) são dados como amuletos de boa sorte no Ano Novo. Assim, como em várias culturas, o ato de brindar com espumante na meia-noite é visto como um gesto de atrair sorte e prosperidade.

Os costumes e tradições que seguimos tornam a celebração da chegada do Ano Novo um momento de verdadeira comunhão familiar.

Essas mudanças foram fundamentais para transformar, aos poucos, a festividade do Ano Novo na celebração mais importante que adquiriu nos dias atuais.

*Carlos Mendes Fontes Neto é engenheiro e Mestre em Planejamento e Projeto Urbano e desenvolve pesquisas sobre a requalificação, acessibilidade e mobilidade do espaço urbano

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