
A história de Ponta Grossa data do início do século XVIII. Nascida no caminho das tropas, teve como marco de seu desenvolvimento as grandes fazendas de criação de gado, tornando-se ponto de apoio aos tropeiros que passavam vindos do Rio Grande do Sul rumo à Sorocaba e caminho que ficou conhecido, também, como Caminho do Viamão.
O tropeirismo estimulou o aparecimento do comércio e de pequenas indústrias ligadas ao couro. À essas atividades outras se somaram, no final do século XIX, quando as estradas carroçáveis e as ferrovias tornam-se uma realidade e isso ajudou a dinamizar a circulação de mercadorias.
As serrarias
Com a chegada dos imigrantes russo-alemães por volta de 1877, grandes transformações ocorreram principalmente no transporte. A introdução dos carroções eslavos que eram utilizados para transportar a erva-mate, principal produto da economia paranaense durante o século XIX até os anos de 1930, quando perde mercado, abre espaço para o transporte junto às madeireiras que já vinham surgindo ao longo das ferrovias. Esse cenário acabou favorecendo o surgimento de serrarias na região dos Campos Gerais.
Com a abertura da ferrovia no final do século XIX e início do século XX, a cidade de Ponta Grossa tornou-se um importante entreposto comercial, pois a Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande passava pelo centro da cidade e recebia todo o movimento de cargas que chegavam do interior do estado.
A importância comercial de Ponta Grossa é por ela ser um centro transformador, e o sistema ferroviário, com o tempo, cercava totalmente a cidade formando um verdadeiro anel. Estas ferrovias fazem a ligação do município com as capitais: Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. Mais tarde com a ampliação das linhas ferroviárias em direção ao norte e oeste do Paraná, facilitou mais ainda o escoamento dos produtos paranaenses até o Porto de Paranaguá e São Francisco do Sul.
Quais eram as empresas?
Na cidade de Ponta Grossa, por volta de 1906, foi fundada a Serraria Olinda por Theodoro Kluppel, situada na Rua Ermelino de Leão, esquina com a Rua André Mulaski, ao lado esquerdo da Viação Férrea São Paulo- Rio Grande, com desvio próprio. Outras serrarias importantes foram surgindo, como a Serraria Sonyra, ao lado do antigo pátio de manobras da Rede, Madeireira Theofilo Cunha na Vila Oficinas e Madeireira Complexo Wagner, com desvio para facilitar a carga e descarga das madeiras.
De 1920 até 1950, as indústrias madeireiras tiveram grande expansão em nossa cidade. Na década de 1940 novas serrarias foram sendo construídas próximas da linha férrea, como por exemplo: Serraria de J. Baron na Rua Miguel Calmon, na Vila Rio Branco; Serraria Slavieiro, na Avenida Monteiro Lobato, Bairro Jardim Carvalho; Serraria Estrela, na Rua XV de Setembro, Vila Ana Rita e Serraria SWIG na Avenida. Carlos Cavalcanti, no bairro de Uvaranas.
Na periferia da cidade havia também as seguintes serrarias: Santa Cecilia de propriedade de G. N. Salbaga, Cruzeiro S.A., Boa Vista de Fernando Bittencourt, Serraria Valério de Valério Ronchi, Serraria Ditzel dos Irmãos Ditzel, entre outras madeireiras, depósitos, lojas de venda e revenda.
Com a devastação dos pinheirais, as serrarias entraram em decadência e foram desaparecendo silenciosamente dando lugar a novos empreendimentos.
*Historiadora, pesquisadora, ocupa a cadeira 14 da Academia de Letras dos Campos Gerais, é integrante da Associação Germânica dos Campos Gerais e do Centro Cultural Prof. Faris Michaele.
