“Envolvimento emocional controlado”

Lílian Gomes- CRP 08/17889
“Capacidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções de forma eficaz, especialmente em situações desafiadoras. Não se trata de suprimir ou negar as emoções, mas sim de desenvolver habilidades para lidar com elas de maneira construtiva, evitando reações impulsivas e mantendo o equilíbrio”.
Na graduação em Psicologia, aprendemos a ter que desenvolver essa habilidade, que junto à própria terapia, estudo constante e supervisão, nos darão o suporte para desenvolver o nosso fazer.
Isso nem sempre é fácil. Muitas vezes a demanda é grande e os espaços na nossa própria vida, nos leva a deixar algum desses pontos soltos. Porém, se faz necessário parar, olhar de longe e constatar o quanto estamos distantes desse compromisso profissional.
Conectar-se ao paciente se faz importante para estabelecer um “setting” adequado à escuta e à exploração da queixa. Compreender e validar as emoções, os sofrimentos e as dúvidas sem comprometer a objetividade e o projeto de tratamento. Porém, com certeza, em alguns momentos, nos pegamos “pensando” no paciente e na sua problemática.
E, será que emoção e sentimento são a mesma coisa?
A neurocientista Cláudia Feitosa-Santana, em “Eu controlo como me sinto” nos diz que emoção e sentimento correspondem a dois estágios do nosso processamento emocional. A emoção é o que vem primeiro e se refere ao que acontece no corpo, ao nosso estado físico. É o batimento cardíaco, a boca seca, a mão suada, a tremedeira, a náusea. É a primeira pista para entender o que estamos sentindo. E o que é o sentimento? É a junção dessas emoções com a razão. Portanto, a partir do racional poderemos entender o que sentimos. “É por meio da razão que você interpreta suas emoções, ou seja, o que acontece no nosso corpo. O sentimento é o que você vai nomear de tristeza, raiva, indignação, incômodo, felicidade, esperança”.
Tarefa nem sempre fácil, pois em algumas situações nem temos tempo de raciocinar e quando percebemos, já “agimos” sem pensar.
Saint-Exupéry, já nos alertava: “tu és eternamente responsável pelo que cativas”.
Para pensar: “precisamos da razão para interpretar nossas emoções, e dos sentimentos e das emoções para realizar nossas escolhas racionais”. E, dessa forma perceber os caminhos que estamos percorrendo para o “envolvimento emocional controlado” e o quanto esse impacta no nosso vivido.
Se os nossos sentimentos acontecem somente na nossa mente, então, podemos fazer controle sobre eles?
Na terapia, por meio de questionamentos, pode-se levantar as evidências do que é real do que é imaginário. “A escolha sobre o que se sente é muito importante para ajudar a enfrentar a situação” e racionalizar o que é factível e/ou possível. E, estabelecer o autocontrole, autoconhecimento e fazer desses, poderosos aliados para o autoequilíbrio e o controle emocional.
Creio que dessa forma o nosso envolvimento emocional possa ser “controlado”!
