A era do “por que fazer” chegou.E ela não tem prazo de validade


Por Redação Diário dos Campos

Nos últimos meses, algo mudou no jeito como as marcas estão sendo julgadas.

Não é a qualidade do produto. Não é o preço. Não é o número de posts por semana. É uma pergunta muito mais simples, e muito mais difícil de responder: por que essa marca existe?

Estamos saindo da era do ‘como fazer’ e entrando na era do ‘por que fazer’. E a diferença entre as duas é maior do que parece.

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A era do ‘como fazer’ foi generosa com muita gente. Você aprendia a técnica certa, o formato certo, o horário de publicar certo, e tinha uma chance razoável de aparecer. A inteligência artificial chegou e democratizou esse jogo até o limite: hoje, qualquer pessoa com internet e um bom prompt consegue produzir conteúdo tecnicamente correto, visualmente atraente e gramaticalmente impecável. Em volume. O dia todo.

O resultado? Um oceano de conteúdo perfeito que não diz nada.

E é exatamente aí que a conversa muda de nível.

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Olhei nos últimos meses para marcas dos mais diferentes setores: do agro ao imobiliário, do restaurante ao futebol. As que estão crescendo têm uma coisa em comum: clareza de propósito. Elas sabem para quem existem e por que importam para essa pessoa. As outras estão respondendo ‘o que fazemos’ com maestria técnica, enquanto o público passa o dedo na tela sem parar.

A Copa do Mundo colocou o Brasil inteiro diante das telas ao mesmo tempo. Marcas de todo tamanho disputaram atenção no mesmo período, com os mesmos recursos visuais, a mesma paleta, os mesmos apelos de euforia coletiva. Quais vão ser lembradas depois? As que tiveram o maior orçamento de mídia? Talvez. Mas as que vão criar vínculo real são as que tiveram coragem de dizer algo além do óbvio. As que conectaram o produto a um valor humano verdadeiro.

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Identidade de marca não é mais diferencial de empresa grande. É pré-requisito de comunicação para qualquer negócio que queira ser lembrado.

E lembrar é o ponto central de tudo. No fim do dia, quando o feed fecha e a pessoa vai dormir, o que fica não é o post mais bonito nem a campanha mais bem produzida. É a marca que ela reconhece como parte da própria história.

Para chegar lá, não adianta ter o melhor designer ou o calendário editorial mais organizado. Antes de tudo isso, precisa responder a pergunta que a maioria adia porque parece filosófica demais para uma reunião de marketing: por que nós existimos? Para quem? E o que mudaria se a nossa marca sumisse amanhã?

Se a resposta for vaga, a comunicação vai ser vaga. Se for clara, tudo que vem depois fica mais fácil: o posicionamento, a contratação, o preço, a escolha do que falar e do que não falar.

A técnica a inteligência artificial entrega. O propósito só você tem.

O autor é sócio da Agência ADE, especializada em marketing e branding para empresas em crescimento. agenciaade.com.br

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