Um jornalista e executivo de comunicação abriu mão de seu trabalho para embarcar em uma expedição de dez meses pelas Américas, viajando sozinho do Sul do Peru ao Alasca por terra ou mar. Além de histórias, amigos e experiências, Ike Weber trouxe nova visão sobre risco, segurança e recompensa. A experiência foi transformada na palestra Expedição pelas Américas: Qual o Risco da Inovação?, promovida por uma empresa de consultoria especializada na gestão de risco de crédito. Conversamos com Ike Weber e destacamos os principais pontos da experiência.
Como surgiu a ideia inicial da viagem?
A vontade de sair pelo mundo nasceu comigo. Fiz várias viagens de aventura, mas queria realizar algo de longo prazo. A princípio, pensei em morar fora, estudar e viajar. Em 2010, decidi que faria uma expedição, sem que estivesse conectada a estudo ou trabalho formal. Escolhi as Américas, pela diversidade cultural, geográfica e aventura. Saí para circular por sete meses e fiquei dez. Viajei de mochila, sozinho, aprofundando a relação com cada país. Percorri, por terra e por água, 13 países das Américas, do Sul do Peru ao Alasca.
Como foi a busca por apoiadores?
Árdua e curta. Da decisão de fazer a expedição até iniciar a viagem foram quatro meses. Foi o tempo que tive para transformar o sonho em projeto. Procurei diversas empresas e organizações, mas patrocínio é escasso. As multinacionais precisam de antecedência. Algumas empresas justificavam que adotariam marketing mais cirúrgico. É difícil para todos, em qualquer área. Ao final, fui patrocinado por um colégio, com o qual fizemos oficinas de estudo e de trabalho. Os alunos estudavam temas em sala de aula e me questionavam sobre os mais diversos assuntos: cultura, transporte, culinária, etc. Foi rico para eles e para mim. Também tive o apoio de uma empresa que me franqueou um seguro completo de viagem e para a prática de esportes de aventura, além da passagem de retorno.
Quais aprendizados obteve?
O aprendizado vem da vivência, das dificuldades, da superação, do convívio com outras culturas, do relacionamento com outras pessoas e, sobretudo, de reflexão. Pude valorizar muitas coisas simples, como roupa de cama lavada. Alguns ensinamentos já praticava, mas foram aprimorados, como manter a calma em situações de absoluto descontrole ou risco. O novo geralmente assusta, mas, se vale à pena, devemos experimentar. Viajando assim também se aprende a valorizar cada instante. Talvez nunca mais passe por vários lugares. É preciso desfrutar. Na correria da vida, do trabalho, perdemos isso.