
Bom dia!
Sobre a solidão digital — essa que não explica, só ilumina o rosto no escuro:
o quarto é pequeno mas cabe o mundo inteiro dentro da tela milhares de vozes nenhuma que responda ao meu nome quando eu chamo baixo
eu deslizo o polegar desenho rios invisíveis de stories que acabam em 24 horas de mensagens que nunca chegam de “visto por último” que dói como abandono antigo
estou conectado a tudo e sozinho com tudo o feed me alimenta de rostos que nunca me tocam de risadas gravadas que não ecoam no meu peito
às 3 da manhã o brilho azul pinta meu rosto de fantasma eu sorrio para uma foto que não é minha curto um desabafo que poderia ser o meu mas não escrevo nada porque quem leria?
a solidão digital não grita ela sussurra em notificações silenciadas em grupos onde ninguém percebe que eu saí em lives onde eu fico até o final só para ver o contador de espectadores cair
eu existo em pixels sou real o suficiente para ser curtido insuficiente para ser procurado
às vezes fecho os olhos e tento lembrar como era o calor de um abraço sem Wi-Fi sem delay sem “carregando…”
mas o celular vibra de novo e eu volto porque o vazio com companhia virtual ainda parece melhor que o vazio sem nada piscando
e assim sigo navegando no mesmo mar de ninguém afogando-me devagar em ondas de luz fria.
É minha gente, temos muito que reaprender neste aspecto pois ainda somos “humanos” ou fingimos que somos.
Excelente semana,
Emerson Pugsley
Ilustração deste post idealizada com o auxílio de IA.
