
Bom dia!
Era uma manhã comum em Ponta Grossa, daquelas em que o sol ainda luta para atravessar a névoa que sobe do frio. Eu observava um homem, daqueles de longa data, parado diante de um pedaço de terra árida que ele insistia em chamar de “futuro pomar”. Muitos riam. “Aqui não nasce nem mato direito”, diziam. Mas ele, com as mãos calejadas e os olhos acesos, plantava uma muda após a outra, como quem semeia não apenas sementes, mas teimosia.
Assim são os ideais de vida. Eles nascem absurdos, quase impossíveis, num solo que o mundo julga impróprio. Um dia você acorda com um desejo que parece maior que você: escrever um livro, construir uma família unida, mudar de profissão, viajar para um lugar que só existe nos mapas do coração, ou simplesmente ser alguém que deixa o mundo um pouco mais gentil. A voz interna sussurra: “Isso é loucura”. A voz externa, mais alta ainda, repete: “Seja realista”.
E é aí que começa a verdadeira crônica de cada um de nós.
Lembro-me de quando comecei o “Meus Escritos”. Eram poucas linhas rabiscadas à noite, depois de um dia exaustivo. Um grupo pequeno no WhatsApp. Alguns olhares de dúvida. “Mais um sonhador”, deviam pensar. Hoje, aquelas palavras viajam, aquecem corações, criam laços e nos lembram que o café da manhã fica mais doce quando compartilhado com reflexões sinceras. Não foi fácil. Houve dias em que a tela do celular parecia um deserto vazio. Mas a cada “hoje já é vitória suficiente”, a cada texto publicado, a semente insistia em brotar.
Realizar o impossível não é ignorar as dificuldades. É abraçá-las como parte da construção. É entender que os ideais de vida não são castelos no ar, mas edifícios que se levantam tijolo por tijolo, com paciência, suor e, muitas vezes, com lágrimas. É acreditar que o amanhã pode ser diferente porque você decidiu agir hoje, mesmo que pequeno.
A fé entra aqui como o solo fértil que a razão sozinha não alcança. Acreditar que existe Um que vê além do visível, que transforma impossibilidades em testemunhos. Quantas vezes, na caminhada, senti que a ponte estava longe demais, como aquela de Guaratuba que um dia pareceu sonho distante. Mas o caminho se faz andando. A ponte se constrói com passos de quem não desiste.
Jamais desistir não significa não cair. Significa levantar. Significa olhar para o pomar ainda sem frutos e ver, com os olhos da alma, as árvores carregadas, as crianças colhendo, as famílias reunidas à sombra. Significa guardar no peito aquela frase que se repete como oração: “Um dia de cada vez. Hoje já é vitória suficiente”.
Meus amigos, construam seus ideais. Plantem mesmo quando o solo parecer ingrato. Escrevam mesmo quando ninguém ainda lê. Sonhem mesmo quando o mundo cobrar realismo. Porque o impossível, na verdade, é apenas o limite que colocamos antes de tentar de verdade.
E quando, um dia, você estiver colhendo os frutos daquilo que parecia loucura, vai sorrir e entender: o maior milagre não foi o fruto. Foi a teimosia amorosa de quem continuou plantando.
Que sua crônica pessoal seja longa, bela e cheia de recomeços. Porque quem constrói ideais e nunca desiste, não apenas realiza o impossível. Ele se torna, ele próprio, uma prova viva de que o impossível sempre foi possível.
Emerson Pugsley – Meus Escritos
Fonte da Ilustração: IA Grok
