
A história de Ponta Grossa é pródiga em acontecimentos que fogem à monotonia da vida. Um desses fatos diz respeito à presença do notável escritor pátrio, Monteiro Lobato, nesta cidade. Tal aconteceu na década de 1930, quando o autor do Sítio do Picapau Amarelo retornava de Guarapuava, onde fora em busca de diamantes ou de uma mina de cobre.
Encontro com Monteiro Lobato em Ponta Grossa
Quem o entrevistou foi outro escritor que, na época, era secretário de redação do jornal Diário dos Campos – Wilson Martins, depois crítico literário de renome nacional e fecundo historiador da literatura brasileira. Lobato já era conhecido de todos em razão de seus livros e de sua ativa participação na campanha “O Petróleo é Nosso” cujo objetivo era que a exploração, a produção e o refino fossem controlados pelo Estado e não por empresas estrangeiras.
Para essa entrevista (clique aqui para saber mais a respeito), Martins conta que foi até o hotel onde pernoitava Monteiro Lobato e, no início, este último lhe perguntou se o jornal que representava era o melhor da cidade, recebendo como resposta – “é o único”. Bem, “então é o melhor”, frisou o entrevistado.
Encontraram-se, na verdade, dois nomes de acentuado relevo no panorama cultural do país – o jornalista que alçaria grandes voos como professor em universidades brasileiras e norte-americanas e o autor de livros infantis e adultos, tradutor e editor que, poucos anos depois, seria perseguido e preso pela ditadura de Getúlio, que discordava de suas campanhas nacionalistas.
Sobre médicos e diplomas
Por falar em personagens ponta-grossenses, quando se faz a resenha acerca dos primeiros médicos instalados na cidade, não se pode olvidar do nome de Francisco Ezequiel Meira (1868). Na época, a medicina era exercida por curiosos ou “práticos” que procuravam afastar os “diplomados”.
Francisco Meira resolveu quebrar essa “reserva de mercado” aqui abrindo seu consultório médico. A Câmara Municipal resolveu enfrentá-lo: intimou-o para que apresentasse o respectivo diploma. Irado, Meira respondeu que só o exibiria depois que todos os curandeiros também o fizessem. E ainda nominou seus concorrentes: Francisco Barbosa, fogueteiro; Amando Cunha, lavrador; Bonifácio Vilela, comerciante; Joaquim Dinarte, pau d’água; Josefine Biron, costureira; Albertina da Luz, Albina Franqueira e Maria Delfina, alcaiotas.
Antes, em 1832, quando Ponta Grossa ainda integrava a Câmara de Castro, ocorreu fato semelhante: o vereador local Francisco Dias de Almeida, enfermo, recorreu ao médico bávaro João H. C. Fidelmann, que lhe forneceu um atestado. Os edis castrenses recusaram o documento. Fidelmann compareceu à próxima sessão, mostrou o diploma e se retirou da cidade para sempre.
*Josué Corrêa Fernandes é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.