
Manoel Ribas é, talvez, um dos mais frequentes protagonistas de acontecimentos hilariantes. Pelo que se vê de suas atitudes, parece que fazia de propósito muito daquilo que lhe atribuem. À primeira vista, como sinal de severidade ou de falta de trato e, em exame mais acurado, como simples gozador, até porque era homem de arguta inteligência, administrador dos mais hábeis e íntegros.
Uma de suas ojerizas, era o discurso laudatório que, como Governador, era obrigado a ouvir. Muitos confirmam que, em certas ocasiões, quando estava com a paciência a zero, arrebatava o calhamaço das mãos do orador que se aprestava a começar e, com a maior sem cerimônia, informava-lhe, diante de todos, que não havia necessidade de ler o discurso, porque ele mesmo o faria na viagem de volta a Curitiba ou em casa, antes de dormir.
Em outra oportunidade, ao chegar ao Palácio, observou que havia várias pessoas acocoradas perto da porta de entrada. Perguntou-lhes o que é faziam ali – “viemos de Guarapuava falar com o Interventor e pedir-lhe a construção de uma ponte. Maneco continuou – “e se o Interventor não fizer o que vocês estão pedindo?”. O mais afoito respondeu – “daí nois mandamo ele para p…..”.
Ribas fez um ar de riso e subiu para o gabinete. Mandou que um funcionário trouxesse os guarapuavanos que, meio encabulados por verificarem que a pessoa com quem haviam falado lá fora, era o próprio governador, não se avexaram e expuseram-lhe as suas necessidades. Manoel Ribas quieto, sério, provocou-os de novo: “e se eu não atender o pleito de vocês, como é que fica? A resposta foi rápida: “Bão, daí temo que sustentá o trato que já fizemo lá fora”…
– Há, também, o caso daquele antigo prefeito que, recentemente eleito, animado por orgasmos múltiplos diante da vitória e da velha sanha de ir à forra contra o seu opositor, resolveu fazer um balanço geral semelhante ao que realizava em sua bodega, a fim de ver se não faltava nada.
Enquanto gritava, os bajuladores escreviam:
Três escrivaninhas de imbuia, marca “Cimo”, um cofre de 2 portas marca “Fiel”, três máquinas de escrever Remington. Daí, olhando para a imagem do Cristo crucificado que pendia da parede, atrás da mesa do prefeito, o novo mandão subiu numa cadeira, desenganchou a peça em estilo clássico e berrou a plenos pulmões: “Um crucifixo marca INRI” (!).
Esse mesmo, orientado por um rábula que era seu secretário e que lhe deu por escrito a fórmula mágica de começar discursos, sempre dizia, após nominar as autoridades e sem dar atenção aos parênteses: “Bom dia ou boa tarde (dependendo da ocasião)!
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O autor é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.
