
A ‘derrubada’ de 1891: Em 1° de março de 1891 foram eleitos os integrantes da 1ª Assembleia Constituinte do Paraná. Dos 32 parlamentares eleitos, cinco deles possuíam fortes vínculos com Ponta Grossa: João de Menezes Dória, elevado ao cargo de Presidente do Congresso Estadual; comendador Augusto Lustoza de Andrade Ribas; Joaquim de Paula Xavier, médico; Tristão Cardozo de Menezes Filho, advogado e fazendeiro. Por último, Vicente Machado, ex-Juiz Municipal e advogado no foro local. Promulgada essa 1ª Constituição do Estado, foram escolhidos para os cargos de governador e vice, Generoso Marques dos Santos e Joaquim Ignácio Silveira da Motta.
A ‘derrubada’ de 1891
Após a renúncia do cargo de Presidente da República pelo marechal Deodoro, assumiu o vice, Floriano Peixoto. Na gestão deste último aconteceu o que chamam de derrubada. Era a deposição dos governadores e dos deputados empossados nos vários Estados da federação, debaixo do motivo de terem sido eleitos no correr da gestão do presidente renunciante.
No Paraná, Generoso Marques foi apeado do cargo, o que também aconteceu com todos os integrantes da Assembleia Legislativa. Foram vítimas das investidas do grupo local que obedecia Floriano, liderado por Vicente Machado. Instituída uma junta governativa por parte do comandante da guarnição militar, coronel Roberto Ferreira, fechado o Congresso Estadual pela força das armas, foram escolhidos novos deputados e convocada uma segunda Constituinte, após a escolha indireta de Francisco Xavier da Silva e Vicente Machado para os cargos de Presidente do Estado e vice.
Destino dos envolvidos
Esse, foi o primeiro lance autoritário que redundou na autêntica cassação de mandatos de parlamentares ponta-grossenses.
Augusto Ribas, que já havia sido deputado no biênio 1882/1883, não retornou à Assembleia, envolvendo-se, dois anos depois, na Revolução Federalista
Tristão Cardoso, deputado em quatro gestões provinciais ao tempo do Império, voltou a cuidar de seus latifúndios na região de Itaiacoca.
Joaquim de Paula Xavier, dedicou-se à sua clínica médica, dela saindo apenas em 1894 para ir até à Lapa, atender os feridos guerra civil.
E João de Menezes Dória transferiu-se para Curitiba, a fim de trabalhar com o estetoscópio e o bisturi que nada custavam aos pobres e que valiam ouro no atendimento aos ricos. Ainda para escrever chamejantes artigos em jornais, mexendo nas feridas dos adversários. Dois anos depois, voltou com tudo contra o segmento comandado por Vicente Machado, a quem, com armas nas mãos, fez correr do cargo de Presidente em exercício do Paraná, culminando por ocupar a sua cadeira no Palácio Iguaçu.
O autor é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.