
A viagem do professor de Biologia Luiz Frederico Petla rumo ao Alasca ganhou um novo capítulo — e, talvez, um dos mais simbólicos até aqui. Depois de cruzar a Colômbia e embarcar a moto em Bogotá, ele chegou ao Panamá, enfrentou burocracias, imprevistos mecânicos e seguiu até Yaviza, o ponto onde a Rodovia Pan-Americana simplesmente acaba e começa a floresta mais perigosa da América.
Dali em diante, o asfalto dá lugar à mata fechada do temido Estreito de Darién.
Do aeroporto para a estrada
Cheguei à cidade do Panamá e fui fazer os trâmites para pegar a moto. Acabei perdendo dois dias nisso: um dia para colocar a moto no aeroporto e outro para tirar. Aqui precisa fazer a fumigação nela, uma espécie de dedetização da moto. Aquela inhaca mesmo.
Depois que isso é feito, você pega a moto e vai para a aduana. Aí tem toda a documentação da moto aqui no Panamá e também precisa fazer o SOAT, que é o seguro obrigatório. Feito isso, você está livre para rodar.
A embreagem quebrou no caminho
Era para eu ter descido ontem, mas a embreagem da moto quebrou. Por sorte, eu tinha uma embreagem sobrando que levei de reserva. E ainda bem, porque sem ela a moto simplesmente não anda.
O problema é que minhas peças de reposição já estão acabando. Agora vou ter que dar um jeito de mandar essas peças do Brasil para os Estados Unidos, porque ainda tem muita viagem pela frente.
Seis horas para ir e seis para voltar
Resolvido isso, fui para Yaviza. Eu tinha falado que faria um vídeo em um lugar especial. E fui.
Rapaz… que lugar feio.
Foram seis horas para ir e seis horas para voltar. Cheguei destruído. Acho que foi o dia mais pobre da viagem até agora, no sentido de estrutura, de estrada, de cansaço mesmo. Foi puxado.
Onde a estrada acaba
Nesse trajeto existe uma rodovia chamada Pan-Americana, que vai do Alasca até o sul da América do Sul. Só que existe uma região em que essa rodovia é interrompida — e essa região é exatamente aqui em Yaviza.
É aqui que a Carretera Panamericana acaba. Descendo para a América do Sul, não tem mais estrada até a Colômbia.
Atrás de mim tem uma ponte, e ela divide a civilização da mata densa. Passou a ponte, ainda tem umas poucas casinhas. Depois disso, não tem mais nada. É mata fechada.”
Floresta mais perigosa da América
É justamente ali que começa o Estreito de Darién, também conhecido como Tapón del Darién — uma extensa área de floresta tropical na fronteira entre o Panamá e a Colômbia, onde a Rodovia Pan-Americana é interrompida.
A região tem cerca de 100 a 160 quilômetros de travessia sem estrada e é marcada por mata fechada, rios, pântanos e terrenos extremamente difíceis. Além dos riscos naturais, como enchentes, doenças tropicais e animais peçonhentos, o Darién também é conhecido pela presença de grupos criminosos e rotas do narcotráfico.
Por isso, o local ganhou fama internacional como uma das áreas mais perigosas do continente — e também como o “caminho da morte” para muitos migrantes que tentam atravessar a floresta.
“É aqui. Um abraço para a galera do Diário dos Campos.”
Diário de bordo anterior: Colômbia: vencendo fronteiras e altitudes com o bom jeitinho brasileiro
