Mico, Micão, me ensine uma lição!

Eu falo sozinha, ou melhor, com meus botões e com os botões do computador, às vezes, geralmente xingando a mim mesma. Fui interrompida pelas vizinhas “se matando” de rir, e já imaginei que riam de mim, pois, naquele momento, eu estava pagando um miquinho com um software mais avançadinho que o word basiquinho. Mas não. Uma delas resvalou no piso ensaboado do terraço, e foi ao chão, e a outra saiu à varanda, para ver se ela estava bem. Eu só ouvi os risos, mas logo percebi, pelo bumbum molhado da moça, que se tratava de um mico que perdi a oportunidade de presenciar. Paciência. Restava rir junto, pois, felizmente, nada pior do que um mico havia acontecido.
A verdade sobre micos, é que, normalmente, são vexames de que apenas a pessoa micada não acha graça. Com exceção das quedas. Lembro-me da vez em que aprendi uma grande lição de uma queda. Eu tinha horror a mico, cada vez que pagava um, sofria terrivelmente por anos (bem…, talvez meses). Vamos ao mico: meu primeiro emprego no comércio foi nas Casas Blanc, uma tradicional loja de móveis de Ponta Grossa, que o século passado enterrou, como a tantas outras casas tradicionais da cidade: HM (Hermes Macedo), João Vargas de Oliveira, Reunidas, Magazin Ricardo Kossatz, e outras. Lá, eu ouvi falar, pela primeira vez, em fechamento de caixa, contabilidade, e… processamento de dados! Sim, nos idos anos 70, a Blanc enviava dados para serem processados em uma empresa de Londrina.
E quem escrevia os dados manualmente em uma planilha (não me perguntem por que não eram datilografados) para serem remetidos para essa empresa que fazia leitura ótica da minha letrinha? Euzinha! Isso, depois de haver pagado alguns tantos miquinhos por lá, que até hoje não revelo. Mas foi com uma queda da enorme escada que levava ao segundo andar, onde ficava o setor administrativo, que eu aprendi de um mico minha primeira lição.
Eu estava sozinha quando escorreguei de um dos mais altos degraus, e, de um por um, meu bumbum conheceu a dureza. Eu ria, e o riso impedia qualquer tentativa de parar de escorregar, até que estacionei em um patamar, no meio da escada. Debruçados no guarda corpo, no alto, vi o esquadrão todo de funcionários que ouvira o barulho, todos pasmos, porque eu, sentada no patamar, estava morrendo… de rir. A mais valiosa lição dos micos é: RIA deles. Quando rimos dos próprios micos, os outros não riem, porque não está servido numa bandeja o motivo para rirem, que é aquela cara de vítima destroçada.
Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, residente em Ponta Grossa, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da
Academia de Letras dos Campos Gerais (https://cronicascamposgerais.blogspot.com/).
