VALORES. COLUNA PUBLICADA NO DC DIA 21/06 – VALE A LEITURA


Por dmais

VALORES

Sou professor há 23 anos. Em 1992 enfrentei a minha primeira aula oficial em um terceiro ano do Ensino Médio, no Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes, em Reserva, Paraná. De lá para cá lecionei para umas 15 mil pessoas, que é mais gente que a população de várias cidades do interior do estado e conheci todo tipo de indivíduos nesse meio tempo.

Sempre houve e há discussões na sala dos professores e nas reuniões pedagógicas sobre a juventude estar sem limites, que as crianças não têm mais limite e que a família está deixando eles fazerem tudo o que querem. E confesso que já participei ativamente desse tipo de debate. Um dia desses um amigo me perguntou qual tipo de aluno me tirava o equilíbrio e cheguei à conclusão que é o aluno que não tem respeito pela escola e, por consequência, por toda a comunidade escolar.

RESPEITO

Respeito é diferente de limite. Respeito está ligado a coisas muito importantes na convivência entre as pessoas, que são os valores. Valor é algo que se imprime nos pequenos, em casa, em família, pelas palavras e pelo exemplo. Que não pode ser terceirizado para a escola e para os professores, muito menos para a babá, empregada ou cuidadores.

Os valores devem ser repassados de pais para filhos, e irão permear toda a existência dessa criança sendo decisivos para definir como serão suas relações com os outros e com o mundo ao seu redor. Estão se proliferando notícias sobre situação de flagrante desrespeito contra idosos, mulheres, crianças, pobres, meio ambiente, religião e tantos outros que seria difícil enumerar. Casos de bullying nas escolas simplesmente porque o amigo é diferente do padrão aceito como normal, ocorrem porque em família não se tem dado o devido valor às diferenças e à diversidade.

VALOR

Auxiliei há alguns anos um processo seletivo para contratação de funcionários para um supermercado que estava se instalando na cidade. 180 vagas e, após 1100 entrevistados, ainda não haviam sido preenchidas. Fui acompanhar mais de perto o processo e, numa das turmas de seleção, as psicólogas me informaram que duas candidatas estavam eliminadas antes de começar. Ambas estavam com alguma coisa escura embaixo das unhas e roupas sujas. A explicação das psicólogas: em supermercado higiene é algo fundamental e essas duas mulheres vieram para tentar trabalho em um local onde essencialmente se vende comida, sem se preocupar com isso. Ou seja, para elas a higiene não era um valor e seria difícil fazer com que a praticassem na rotina do trabalho.

 

canabarro@utfpr.edu.br

 

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