Carta aberta para quem está pensando no Planejamento de 2026


Por Redação Diário dos Campos

Como podemos fazer de 2026 um ano que valha a pena ser vivido?

Antes de tudo, um “disclaimer”: Nem todo movimento é progresso. Na vida — e nos negócios — é comum confundirmos deslocamento com avanço. A agenda enche, as responsabilidades aumentam… Se essa fosse uma jornada marítima, olhando assim, a embarcação até pareceria maior, mais robusta. Tudo indica evolução.

Até aí, tudo bem.

Mas vale lembrar que trajetórias podem ganhar velocidade enquanto perdem o rumo. E, quando a gente olha para trás, ligando os pontos ao contrário, podemos perceber que muitas vezes isso poderia ter sido evitado (ou ao menos amenizado) no momento em que tínhamos algo muito valioso: opções.

É que, no “clima de início de ano”, muitas vezes são firmados compromissos difíceis de desfazer, rotinas que exigem manutenção constante, estruturas que passam a ditar um novo ritmo. Repito: até aí, tudo certo. Velocidade ordenada não é por si só prejudicial.

O erro costuma estar na bússola. Ou melhor: em nunca ter parado para calibrá-la.

A maioria mede progresso por meio de sinais externos: reconhecimento, estabilidade, crescimento, validação. São indicadores legítimos, mas insuficientes. Porque é perfeitamente possível ganhar mar aberto e, ao mesmo tempo, se afastar do litoral onde se pretendia alcançar.

Daí a importância da coerência entre rota e destino.

E essa coerência vai precisar de muita clareza daquilo que é verdadeiro dentro de nós – não só do que esperam, não só do que a empresa demanda nas planilhas, não só dos discursos bonitos e motivacionais de início de projetos.

Isso exige honestidade: revisar escolhas que “deram certo”… mas que retiraram a paz, a coerência ou a presença. Exige admitir que algumas conquistas aceleraram o movimento; mas na direção errada.

Enfim… Sucesso na direção errada ainda é sucesso? Essa pode ser a pergunta que irá determinar as “boas práticas” não apenas do Planejamento 2026, mas da vida que é construída enquanto ele transcorre.

*O autor é consultor jurídico-empresarial, advogado há mais de dez anos e especialista em planejamento e estruturação de negócios.

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