Associação Germânica de PG: mais um ano
Carlos Mendes Fontes Neto
Nesta quarta-feira a Associação Germânica dos Campos Gerais estará reunida no Slaviero Executive Ponta Grossa comemorando mais um ano de atividades nos Campos Gerais. Em poucos anos de existência é uma entidade que proporcionou o resgate de uma página importante de nossa memória cultural, demonstrando o valor de conhecermos nossas origens.
Quando no ano de 1877 aportaram nos Campos Gerais os imigrantes alemães vindos da região do rio Volga na Rússia já existia em Ponta Grossa uma comunidade importante de imigrantes germânicos oriundos da região de Rio Negro, no sul do Paraná. Com o movimento imigratório patrocinado pelo governo imperial a população da cidade praticamente dobrou, transformando a cidade. Isso proporcionou um novo desenvolvimento que culminou, juntamente com o aporte de outras etnias europeias, em um importante centro comercial e cultural no início do sec. XX. Era a época do comércio da erva mate, do transporte nos grandes carroções eslavos, da instalação da ferrovia, do aparecimento das primeiras indústrias, de nomes que marcaram nossa história comercial e industrial… Osternack, Canto, Holzmann, Hilgenberg, Ansbach, Thielen, Justus, Stoltz Jensen, Lange, Kossatz, Schneckenberg e tantos outros… enfim, da transformação que levou a cidade a ser considerada a mais importante do interior do Paraná. E em todas estas atividades estava a presença, principalmente, do imigrante germânico. Mas, além disso, a grande contribuição desse povo foi com a cultura e com a arte. Basta lembrar o surgimento das sociedades germânicas, as “Verein”, que deram origens aos nossos mais conhecidos clubes sociais, aos primeiros grupos de teatro, ao surgimento das primeiras salas de cinema na cidade, a imprensa com destaque na fundação do Diário dos Campos, arquitetura, música, literatura…
Ficou impressa na nossa característica uma marca germânica que se manifesta até hoje, seja na culinária, quando se pede vina no mercado, ou no prato conhecido como “tigrão”, nosso Wikelkleis, as broas de centeio e os cuques e strudel nas padarias… no programa de rádio Chope Dominical Alemão da Rádio Central, nas apresentações do pianista Newton Schner Junior, nas festas típicas da Colônia Terra Nova, nos restaurantes de comida típica de Witmarsun, no Sítio Minguinho em Palmeira com o seu Memorial do Volga… em vários prédios remanescentes do século passado com características da arquitetura bávara… na concepção original da Münchenfest… nos cultos em alemão da Igreja Luterana da Chapada, nas reuniões da Oase alemã da Luterana Bom Pastor… nas festividades em ação de graças pela colheita da Paróquia São Vendelino… no chope servido e apreciado por toda cidade… e até nas lápides em alemão do centenário Cemitério Municipal.
Assim ao comemorarmos mais um ano da Associação Germânica dos Campos Gerais, cuja credibilidade alcançada junto à comunidade princesina confere a condição de entidade mais representativa e atuante dos Campos Gerais, sentimos que estamos recuperando não só a real importância da etnia alemã na formação sócio-cultural de nossa região, mas principalmente a autoestima desta grande comunidade de descendentes de um povo que tanto trabalhou para desenvolver e valorizar nossa terra.
O autor é presidente da Associação Germânica dos Campos Gerais (AGCG)
