A era das crenças

Não foram poucas as mudanças que percebemos desde o início da pandemia. De um modo geral o mundo sempre foi assim, cheio de inconstâncias e surpresas, mas na velocidade que estamos vivendo uma transformação nos parece ser inusitado.
Mais que constatações estamos vivendo uma época onde as percepções estão ganhando espaço e se transformando em crenças e de certo modo percebemos que as pessoas que detinham algum conhecimento hoje estão cobertas de incertezas e na contramão aquelas que pouco sabem parecem estar carregadas de certezas e razões.
A quantidade de informações que chega a nós a cada minuto é tamanha que estamos perdendo a capacidade de raciocinar. Há uma nítida preguiça em ler e pensar sobre um fato. Parece que nosso cérebro diz: “pra quê gastar energia, se o Google tem a resposta?”.
Com isto estamos dia a dia atrofiando a nossa capacidade analítica e delegando a função a inteligência artificial (digital). Não demora seremos dominados por elas como preconizavam os velhos apocalípticos do passado quando depararam com o avanço da tecnologia da informação. E você?
Suposições, mesmo que validadas por pesquisas sólidas, podem nos levar a decisões erradas. E mais, suposição é como cheiro de sovaco, todo mundo tem. Costumamos aceitar suposições dos outros porque é mais cômodo e mais rápido e parece aliviar a tensão sobre nossos pensamentos.
É, sem dúvida, a era das crenças, onde aquilo que eu acredito é a verdade. Então está assim: têm jovens de pouca idade que acreditam estar imunes aos efeitos maléficos do coronavírus e por isso não abrem mão do seu direito de ir, vir e estar onde quiser. Têm jovens com idade avançada que tomaram vacina e acreditam que estão imunes, e também estão reclamando este direito. Entre eles têm uma imensa massa de pessoas divididas por opiniões sobre tratamentos, uso de máscaras, eficácia de vacinas e tudo mais.
Porém, a grande verdade é que a pandemia é um problema de toda a sociedade e só chegaremos a níveis aceitáveis de convivência com o vírus se soubermos agir coletivamente.
Começa por mim, acredite ou não, tenho que respeitar opiniões, espaços e decretos. Somente a convivência com os verdadeiros valores de solidariedade dará cabo a esta pandemia. Esta é a lição, vamos seguir.
O autor é empresário com 30 anos de experiência em associativismo. Formado em Filosofia e Administração
