07 de junho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

LIBERDADE, LIBERDADE


Por Alexandre Garcia Publicado 07/07/2021 às 17h00 Atualizado 21/02/2026 às 10h40
Ouvir: 00:00
Foto: Divulgação

O Juiz do Supremo Alexandre de Moraes, no primeiro dia deste mês, abriu inquérito para investigar duas deputadas federais que apareciam no inquérito sobre atos antidemocráticos – no mesmo dia em que investigações de conspiração contra a democracia eram mandadas para o arquivo. Dois dias depois, atos antidemocráticos voltaram a ocorrer, quando a turba depredou uma agência bancária, uma concessionária de veículos e um ponto de ônibus em São Paulo, e outra turma agredia manifestantes.

O Ministro Moraes escreveu que há “fortes indícios e significativas provas …apontando para a  existência de uma verdadeira organização criminosa … com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito.” Fico me perguntando por que tantos adjetivos. Se forem eliminados as subjetividades, fica o seguinte: “Indícios e provas apontam para a existência de uma organização criminosa com a finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito.” Assim escrito, está objetivo. Mas o juiz preferiu supor, com adjetivos. Tal como faria um promotor de acusação.

O art. 220 da Constituição estabelece que é livre a manifestação do pensamento, sob qualquer forma, processo ou veículo e que é vedada toda e qualquer censura de natureza política ou ideológica. O artigo 5º já garante a manifestação livre do pensamento, mas veda o anonimato. E há um título inteiro, o V, que cuida da defesa do estado e das instituições democráticas. 

Certamente um juiz da Suprema Corte  não confunde livre manifestação do pensamento e expressão de opinião, com conspiração contra a democracia, ainda mais com ausência de materialidade. Desabafos contra ministros do Supremo  não são tentativas de fechar o Tribunal, mas… Em 1968, estudante de jornalismo, eu aplaudia de pé no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, a peça de Millor Fernandes e Flávio Rangel, “Liberdade, Liberdade”, um ícone de crítica ao autoritarismo da época. Hoje quem aplaude nas redes sociais os que criticam o Supremo, corre o risco de ser investigado como conspirador.

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Alexandre Garcia

Redes e democracia

Publicado 28/02/2025 às 22h51
Alexandre Garcia

Propaganda enganosa

Publicado 19/04/2023 às 19h13
Alexandre Garcia

Arcabouço

Publicado 05/04/2023 às 21h04