A Taxa Selic, a recessão e o mercado da construção civil
Na crise econômica atual, o mercado de construção civil é um dos mais prejudicados, vamos entender o motivo:
A Selic é um referenciador para as outras taxas. No cenário atual, a alta taxa de juros torna mais caro o custo do capital de terceiros, inviabilizando investimentos por parte das construtoras, as quais, juntamente desse encarecimento enfrentam o sério problema da escassez de demanda. Com a recessão econômica e aumento do desemprego, somado aos níveis inflacionários, a demanda da construção civil caiu vertiginosamente, fazendo com que empresas antes lucrativas passassem a deter grandes estoques de imóveis prontos. Somado ao alto custo do endividamento, a redução da capacidade de financiamento por parte do BNDES resultou em cortes, reestruturações e desemprego nas grandes obras de infraestrutura como é o caso da Triunfo Participações, a qual recentemente demitiu toda a área responsável por orçamento de novas obras.
Com a queda na demanda, os prejuízos surgiram até mesmo nas grandes construtoras como é o caso da PDG Realty. O valor de suas ações nos últimos 12 meses encolheu 80% e o demonstrativo de resultados apresentou prejuízo de 3 bilhões nos últimos 12 meses, tendo como patrimônio 1,5bi e uma dívida superior a outros 3 bilhões.
A situação é crítica até mesmo para as consideradas melhores empresas do setor, como é o caso da paulistana EZTec. A construtora que trabalha com dívida zero visando construção apenas de lançamentos vendidos como um todo, teve a redução de seu retorno sobre patrimônio de taxas superiores a 30% ao ano para apenas 13,9% no ano de 2015.
Já a situação da MRV Engenharia é um pouco mais confortável. Apesar da queda na demanda e redução dos lucros, o foco no programa Minha Casa, Minha Vida se fez válido, garantindo a manutenção das atividades em bom nível e resultando em uma valorização próxima de 40% nas ações (MRVE3) nos últimos 12 meses. Assim como no caso da EZTec, a MRV também optou por manter maiores valores em caixa e reduzir o endividamento para os próximos anos.
Definitivamente, o melhor momento de se investir em imóveis passou, talvez daqui 1 ou 2 anos o bom momento retorne.
