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13 anos tristes

Por: Laércio Lopes de Araujo (email: [email protected])

Quando em 2002 surgiu um fenômeno político do Paz e Amor, da luta contra as desigualdades, do fim da busca pela terra, da ascensão social, do fim da fome, todos acreditávamos na realização do Brasil grande. Mas, desde então?

Não se trata aqui de demonizar ou de desfazer o que movimentos políticos legítimos criaram nos 13 anos de governos populares que nos legaram a cleptocracia envergonhada que assumiu o poder em 2016, como consequência e herança daquele movimento.

Trata-se de ouvir pessoas se regozijando por terem votado em Collor em 1989, ou de vomitarem suas diatribes tortas e corajosas de que irão votar no Bolsonaro em 2018. Como podem?

Muitos sabemos que um exemplo vale mais que mil palavras. Neste período da história do Brasil, vivemos discursos de esquerda, recheados de boas intensões, repletos de chavões materialistas dialéticos, muita práxis, enfim, o desfile de uma bíblia de esquerda, porém, as ações, o pior da política mesquinha e pequeno burguesa de um país sem memória e sem identidade.

Estamos revoltados com a Reforma da Previdência, mas aquela que FHC não conseguiu fazer em 1999, foi implementada em 2003 pelo governo do PT. O Fome Zero depois de ser desmascarado pelo IBGE, virou cabide de emprego e de resultados não se sabe. A luta contra a corrupção da direita submergiu quando aconteceu o Mensalão.

A desigualdade econômica agravou-se, e a situação do brasileiro do ponto de vista social, educacional e econômico está regredindo aos níveis de 2002, último ano de FHC. O problema da terra é ainda mais vergonhoso, apesar de períodos em que Lula assentou mais que FHC, Dilma não fez nada, mas foram 13 anos e o MST continua pedindo o mesmo que em 1994.

Neste período o discurso de que quem não está com nóis está contra nóis! tornou-se predominante, fazendo clivagens importantes e dolorosas na sociedade brasileira. Criaram-se minorias de todas as espécies e gêneros e a elas se atribuiu nichos de direitos com estapafúrdia violência em sua defesa. Temos uma sociedade fraturada e violenta, que se reflete nas redes sociais.

A ignorância política e a violência truculenta se tornam patentes em sítios da Web como o canal do Youtuber Arthur Moledo do Val, o Mamaefalei, que expõe a indigência dos movimentos ditos populares que são patrocinados pelas correntes de partidos que, mesmo 13 anos no poder, não foram capazes de mudar o sistema político, mas, muito pelo contrário, beneficiaram-se e exploraram-no ao seu limite.

Seria a cordialidade do brasileiro um mito? Ou será que Golbery do Couto e Silva e as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs quando criaram o mito Lula não perceberam que a ambição do homem e suas falhas de caráter sempre superam as boas intenções?

Quando vemos muitas pessoas humildes arregimentadas por profissionais da política da esquerda levadas a defender alguém que é réu em processo criminal, podemos lamentar que quantos destes mesmos humildes sequer têm direito a uma defesa técnica digna quando são presos nas malhas do Estado? Que exemplo é esse de lei de Gerson e de esperteza de indicar 87 testemunhas para tumultuar o processo e impedir que ele se desenvolva para que não atinja o desiderato da punição?

Não terá o sem-teto e o sem-terra uma escola de facínoras a lhe ensinar que a lei existe para os espertos, poderosos, corruptos e amorais?

Meu pais sempre me ensinou que um exemplo vale mais que mil palavras, ele foi meu exemplo, de honestidade, de dignidade, de comedimento, de seriedade, de respeito irrestrito com a coisa pública, e agora vejo, com muita dor, o novo pai dos pobres, ensinando que o que vale é ser esperto, é desrespeitar os juízes, é afrontar o nosso irmão, é roubar e sair ileso, é convocar pessoas incautas para defender o indefensável. É, 13 anos tristes… e mais alguns!

 

* O autor é médico e bacharel em direito formado pela Universidade Federal do Paraná, atua em psiquiatria há 27 anos, Mestre em Filosofia e especialista em Magistério Superior.

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