Reforma tributária vai impactar empresas e indústrias de PG

O governo federal realizou, na tarde de terça-feira (13), o lançamento da plataforma digital da reforma tributária. A medida estará em forma de teste no ano de 2026, mas empresas e indústrias de Ponta Grossa já projetam os impactos da mudança que institui novas regras do imposto sobre o consumo.
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O Comitê Tributário da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) analisou a nova medida que, em linhas gerais, separa o imposto no momento do pagamento para o consumidor. A partir de agora, o imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substitui os tributos estaduais e municipais, como ICMS e ISS. O assunto tem sido debatido no comitê, em palestras e eventos, desde 2024.
Para o presidente do comitê, o advogado Daniel Prochalski, o objetivo é preparar o empresário para evitar surpresas. De acordo com o presidente, a percepção na região dos Campos Gerais é mista. “A indústria vê com otimismo a desoneração da produção e a não-cumulatividade, mas há grande preocupação com o custo imediato de adaptação de sistemas. No setor de serviços, a atenção é redobrada devido à incerteza sobre o aproveitamento de créditos e o impacto real na carga tributária final”, afirma.
Novo sistema
Apesar de começar a valer a partir de 2027, o sistema já pode ser acessado pelo portal gov.br como parte da transição para o novo modelo de tributação. Portanto, ainda não há cobrança dos novos tributos criados.
“[A plataforma] viabiliza, por exemplo, a apuração assistida e o split payment, tema que já abordamos em evento específico na ACIPG ainda em 2024. Na prática, o sistema separará o imposto no momento do pagamento (pix, cartão, boleto etc).
Transparência para o consumidor
Perguntado pela reportagem se o novo sistema de tributação trará maior transparência ou dificuldade para as empresas, Daniel afirma que as duas coisas vão ocorrer de forma simultânea. “A transparência será melhor para o consumidor, que poderá ver esses tributos (IBS e CBS) destacados na nota. Porém, haverá um aumento de complexidade operacional para as empresas no início”, destaca.
Ainda segundo Daniel, o ano de 2026 na tributação será uma fase educativa, em que vai exigir do empresário uma gestão fiscal profissional e de atualização de cadastros.
Mudança na carga tributária
O presidente do comitê também explica o impacto financeiro da reforma para as empresas. Segundo ele, a distribuição da conta mudará. Com isso, setores de produção que possuem cadeia longa de matéria-prima e fornecedores devem pagar menos, enquanto serviços e profissionais liberais podem sentir aumento no imposto. “Por isso, a ACIPG mantém vigilância constante, emitindo alertas, para evitar retrocessos ou aumento disfarçado de carga”, explica Daniel.
A comissão, somente em Ponta Grossa, realizou mais de dez ações entre fóruns, lives e notas técnicas nos últimos dois anos “para preparar o terreno”, de acordo com o presidente. Para ele, os próximos anos exigirão bastante organização do empresariado.
