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Médico do HU-UEPG fala sobre uso do canabidiol no burnout e dor crônica

Foto: Divulgação

Está programada para a noite de amanhã (19) uma aula aberta sobre o uso do canabidiol (CDB) na síndrome do burnout (esgotamento mental) e dor crônica, que contará com a participação do Dr. Marcelo Rezende Young Blood, chefe do Serviço de Neurologia e coordenador do Serviço Multiprofissional de Dor Crônica do Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU/UEPG).

A promoção é da Escola Rigor Científico, plataforma de educação técnico-científica que produz conteúdos gratuitos e oferta produtos e serviços de aperfeiçoamento profissional e é idealizada por egressas da UEPG.

A aula aberta será transmitida nesta terça-feira (19), às 19h30, pelo Instagram da escola: @rigorcientifico.

A Síndrome de Burnout e o Canabidiol

Para saber mais sobre o uso do Canabidiol na síndrome de burnout, confira o artigo escrito pela Dra. Marissa Schamne, Doutora em Psicofarmacologia e co-fundadora da Escola Rigor Científico:

Síndrome de burnout

A síndrome de burnout, também chamada de síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, acúmulo excessivo de estresse e de tensão emocional, sempre relacionados ao trabalho do indivíduo.

Os diagnósticos explodiram nos últimos anos, inúmeros afastamentos do trabalho, pedidos de desligamento da empresa, aumento pela busca de ajuda profissional. 

Quais são os sintomas da síndrome de burnout?

  • cansaço físico e mental excessivos;
  • insônia;
  • dificuldade de concentração;
  • perda de apetite;
  • irritabilidade e agressividade;
  • lapsos de memória;
  • baixa autoestima;
  • desânimo e apatia;
  • dores de cabeça e no corpo;
  • negatividade constante;
  • sentimentos de derrota, fracasso e de insegurança;
  • isolamento social;
  • pressão alta;
  • tristeza excessiva.

Como é o tratamento da síndrome de burnout?

O tratamento consiste de acompanhamento com um médico psiquiatra, através de medicamentos, e a síndrome de burnout requer que o paciente faça terapia constante.

Foi justamente pensando em possíveis estratégias terapêuticas que um grupo de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto (SP) conduziu um estudo com profissionais da linha de frente no combate à pandemia da COVID-19, para avaliar o efeito do tratamento com canabidiol (CBD) na síndrome de burnout desses profissionais.

Esse ensaio clínico contou com 120 voluntários divididos em dois grupos iguais: grupo A recebeu 300 mL/dia do medicamento, grupo B não recebeu tratamento.

Porém, os dois grupos passaram pelo tratamento padrão para síndrome de burnout com apoio pisiquiátrico e exercícios físicos de baixo impacto.

O que é o canabidiol?

O canabidiol, também conhecido por CBD, é um fitocanabinoide extraído da maconha na forma de um óleo. Diferente do tetrahidrocanabinol (THC), o CBD não possui efeito psicoativo, ou seja, não provoca o típico “barato” da maconha.

O CBD vem sendo estudado para o tratamento de diversas doenças, com resultados bastante promissores. O tratamento com o CBD reduziu sintomas da fadiga emocional em 25% dos voluntários do estudo, depressão em 50% deles e a ansiedade em 60% dos envolvidos.

Apesar desse resultado bastante promissor, os pesquisadores relataram que cinco pacientes manifestaram efeitos colaterais pelo uso da substância. Os casos foram manejados, e em três deles o problema foi controlado. Em dois pacientes os médicos optaram por descontinuar o tratamento com o CBD (um voluntário teve problemas hepáticos e outro apresentou reações fortes na pele).

Neste estudo, o tratamento com o CBD melhorou os sintomas de burnout e de exaustão emocional entre os profissionais da saúde. Porém, é necessário sempre considerar os benefícios da terapia com o CBD e seus potenciais efeitos colaterais. Mais estudos ainda são necessários, para atestar com mais precisão todos os benefícios do medicamento.

Esse estudo, contudo, apresenta um viés, porque não foi um estudo duplo-cego, como é o ideal. Não houve um grupo placebo, então tanto pesquisadores quanto pacientes sabiam quem estava recebendo o CBD e quem não estava. Esse viés ocorreu porque devido à situação em que o estudo foi conduzido, em meio a primeira onda da pandemia no Brasil, ficava inviável colocar em prática essa metodologia em meio ao caos e rotina atribulada de uma unidade de UTI COVID-19.

Por isso, os cientistas afirmam que testes futuros com essa abordagem metodológica duplo-cega são necessários, a fim de avaliar se essas conclusões podem ser aplicadas a uma escala mais ampla e variada de pacientes.

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