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PG se prepara para usar plasma em pacientes com covid-1

Coronavírus

Plasma convalescente coletado é encaminhado ao Hemepar de Curitiba para análise

O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) de Ponta Grossa iniciou uma campanha pública de coleta de plasma convalescente de pacientes que se recuperaram de infecção pela covid-19. O plasma é a parte líquida do sangue e o objetivo é utilizar esse material para tratar pacientes em estado grave da doença.

O projeto-piloto de estudo sobre os efeitos do plasma de pacientes recuperados começou no Hemepar de Curitiba em maio deste ano e faz parte das ações da Secretaria de Estado da Saúde para viabilizar alternativas de tratamento e minimizar a gravidade dos casos de covid-19 no Paraná.

“Ponta Grossa integrou o estudo para verificar os anticorpos contra o novo coronavírus no plasma das pessoas que já passaram pela patologia de forma leve e estão curadas. Todas as doenças infecciosas e virais que a pessoa contraiu vai desenvolver esses anticorpos. Existes os anticorpos que são permanentes e aqueles que são temporários. Nós ainda não sabemos a classe desses anticorpos, mas sabemos que eles ficam no organismo”, explicou a enfermeira e chefe do Hemepar de Ponta Grossa, Nelsi de Oliveira Zakszewski.

Nelsi explica que a ideia principal é realizar a coleta dos anticorpos e transfundir em uma pessoa que diagnosticou positivo para a doença e começou a agravar. “São aqueles pacientes que começaram a desenvolver insuficiência respiratória. Então nós colocamos esses anticorpos que farão com que o vírus presente no organismo dessas pessoas fique cada vez mais fraco e seja combatido. Dessa forma, faremos uma imunização para melhorar a defesa do organismo”.

Eficácia

De acordo com a enfermeira, ainda não existem comprovações científicas sobre a eficácia do tratamento, pois cada agente etiológico responde de uma forma. “Essa terapia já foi utilizada em 2009 no tratamento de pacientes com Influenza H1N1 e a utilização desse plasma convalescente reduziu em até 35% as mortes naquela época. Houve uma grande resposta, mas com o advento do antibiótico Tamiflu e a da vacina, nós ficamos mais tranquilos com relação à utilização do plasma”.

No caso da covid-19 existem diversos estudos em andamento para comprovar a eficácia do tratamento. “Nos Estados Unidos sabemos que o resultado foi positivo e eles estão tentando ver se esse seria o melhor caminho. Além disso, é preciso verificar se os resultados são em decorrência da utilização do plasma ao passo de que outros medicamentos também têm sido utilizados no tratamento da covid-19”, destacou a chefe do Hemepar.

Riscos

A transfusão sanguínea, conforme aponta Nelsi, é um procedimento hemoterápico que já existe há muitos anos, mas não isenta os pacientes de alguns riscos de reações. “Para a coleta do plasma, por exemplo, não pode ser mulheres que já passaram por uma gestação justamente pela possibilidade de existir um componente a mais e causar algum tipo de reação no receptor”, alerta.

A retirada do plasma do sangue total é considerado um procedimento caro no Brasil. “O plasma deve ser congelado a -20°C até 8 horas do início da coleta e isso requer equipamentos e profissionais capacitados e treinados. Já conseguimos adquirir kits para verificar as dosagens de anticorpos dos doadores. O ideal é de que a dosagem de anticorpos seja acima de 1,6 e quanto maior a dosagem, maior será a resposta ao tratamento”, disse a chefe do Hemonúcleo.

Em Ponta Grossa, já foram coletados, nesta semana, o plasma de três pessoas que se recuperaram da doença. O material coletado foi encaminhado para o Hemepar de Curitiba. O órgão aguarda a análise para verificar se as bolsas são viáveis e seguras para a transfusão. “Somente as instituições conveniadas poderão fazer uso desse material, através de Requisição de Transfusional, ou seja, o pedido médico da instituição”, disse Nelsi. O Hemepar segue uma lista de pacientes que são convidados a fazer a coleta na sede do órgão.

SAIBA MAIS – QUADRO Nota Técnica

As orientações aos estados para realização do procedimento estão na Nota Técnica nº 21/2020 assinada pelo Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), intitulada: “Coleta e transfusão de plasma convalescentes para uso experimental no tratamento de pacientes com Covid-19”.

O projeto da instituição conta com o apoio do Laboratório Central do Estado (Lacen/PR), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT) e Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde.

Quem pode doar plasma convalescente

– Homens e mulheres com idades entre 18 e 59 anos

– Mulheres não podem ter passado por gestações

– Apresentou sintomas leves de covid-19

– Pesar mais de 55 quilos

– Estar no período entre 45 a 60 dias da data do diagnóstico do vírus

– Não ter tido ou estar com as doenças: Sífilis, Chagas, Malária, HIV, HTLV, Hepatite B e C.

*Mais informações ligue (42) 3223-1616.

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