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SOFRIMENTO ALHEIO

Está chegando o Natal e aparentemente afloram os bons sentimentos nas pessoas. O coração fica mais mole, há um sentimento de alegria no ar e muitas campanhas para apoiar quem está passando por dificuldades nesta época. Afinal, são mais de 12 milhões de desempregados, então a felicidade e a alegria reinantes não se estendem para todos. O espírito altruísta das pessoas surge na época do Natal. Sempre que falo sobre altruísmo, muitas pessoas não sabem do que se trata. Em contrapartida, quando se fala sobre egoísmo, todos sabem do que se trata. Talvez porque vivemos em uma sociedade mais egoísta do que altruísta. Altruísmo significa, de forma simplificada, pensar no bem coletivo sempre, em detrimento do bem individual. Quando uma ação, ou empreitada, ou projeto for iniciado, pensar sempre se o benefício é para a coletividade e não para uma ou poucas pessoas. Deveríamos praticar isso em casa, nas escolas e no trabalho durante o ano todo, e fazer com que o altruísmo se torne mais conhecido e praticado que o egoísmo. E que as ações em prol dos mais fracos, mais pobres e em minoria, sejam a regra de convivência e não a exceção da regra.

PENSAR NO SOFRIMENTO DO OUTRO

Muitas vezes fazemos pessoas sofrerem com nossas ações e atitudes mesmo sem ter essa intenção, colocando em prática uma das frases mais egoístas que existem: “cada um com seus problemas”. Afinal, por que vou me preocupar com o problema dos outros se já tenho os meus? É preciso refletir sem julgamentos sobre a condição de cada um. Olhar ao redor, perceber os sofrimentos das pessoas que nos cercam e tentar entender a realidade de cada um pode ser um passo importante para construir um planeta onde, independente de condição social, cor da pele, gênero ou deficiência, cada indivíduo seja tão importante como se representasse toda a humanidade. Porque perder uma vida, deixar uma única pessoa para trás, alimentar a tristeza de um só cidadão, deveria ser motivo de sofrimento de todos. Na realidade, parece que quanto mais pessoas vivem no mundo, menos pessoas se conhecem, e passamos a viver como boi no pasto, onde não existe a noção de coletividade, onde um cai morto e os outros continuam suas vidas como se nada tivesse acontecido.

NOVA PROMESSA DE ANO NOVO

Poderíamos incluir uma promessa nova no Ano Novo, coletiva, para que o mundo possa melhorar. E essa promessa seria sempre, em qualquer condição, medir meus atos e minhas palavras antes de executá-los, para ver se não estão causando sofrimento para alguém. Se o que eu faço ou o que você faz for causar sofrimento em uma única pessoa, para que alguém possa se divertir ou se entreter, não vale a pena ser feito. Quem sabe assim, com pensamento coletivo mas com ação individual, possamos mudar o mundo. Não solte fogos, se você tem vizinhos autistas. Não estacione em vagas para pessoas com deficiência. Não diga frases racistas ou homofóbicas. Não maltrate crianças e idosos. Se você tem recursos, ajude a quem precisa, mas sem fazer com que a sua ajuda se torne uma humilhação. Não diga coisas ofensivas como: Você deveria estar numa escola especial. Esse aleijado está tirando minha vaga de emprego. Mudaram a lei e agora a escola tem que dar jeito em tutores! Lugar de mulher é na cozinha! Isso tudo só gera dor e sofrimento. Vamos nos reinventar e construir uma sociedade mais justa, onde cada um seja uma pessoa e não um problema. Onde todos podem ser salvos e não descartados para economizar uns trocados. No fim de tudo, vão-se os bens e ficam os nossos atos. Parece sonho, mas que época melhor do que a que se comemora o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo para falar sobre isso?

Obrigado a todos os que me acompanharam até aqui. Volto com colunas inéditas em Fevereiro.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2020, com coragem para fazer a igualdade.

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